CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein

 

  • NOVAS DEMISSÕES EM SANTA ROSA

    Na esteira dos resultados do setor, que mantém recuo nas vendas, a indústria de máquinas agrícolas terá novas demissões na fábrica de colheitadeiras da Massey Ferguson, em Santa Rosa. Na semana passada, trabalhadores rejeitaram proposta para suspensão temporária dos contratos.
    O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Santa Rosa, João Roque dos Santos, foi informado ontem sobre 90 novos desligamentos. Por nota, a AGCO, grupo ao qual pertence a Massey, informou que “realizou em abril plano de demissão voluntária na unidade de Santa Rosa, e segue com o plano de demissão involuntária”. A justificativa é a necessidade de “ajustes” em função das demandas do setor no país, que registra queda de vendas.
    Números da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores comprovam a retração. Em abril, os negócios caíram 29,4% em relação a igual mês de 2014. No acumulado do ano, a queda foi de 22,9%.
    – Esperamos o lançamento do Plano Safra, dia 19, para ver o que vai acontecer – diz Claudio Bier, presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Estado, que aposta em um segundo semestre melhor do que o primeiro.
    O compasso de espera pela definição das regras para o crédito rural apareceu na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP). A feira terminou com volume 30% menor de propostas, apesar das estratégias do setor para fechar negócio.
    – Nosso cliente está capitalizado, mas quer juro barato – avalia Bier.
    A maior preocupação é de novos cortes. O dirigente afirma que empresas menores também começaram a demitir, a exemplo do que ocorreu com grandes marcas – 167 vagas na John Deere e 154 na Massey. O mercado externo poderia ser uma opção, mas precisaria ser reconquistado. Com as vendas em alta nos últimos anos, a indústria direcionou esforços para atender os consumidores brasileiros. Há ainda barreiras impostas por parceiros, como a Argentina, que já foi destino de 20% da produção brasileira – e atualmente não passa de 9%, segundo o Simers.

    GRITO AQUECIDO
    Mais de 7 mil pessoas de 80 municípios participaram ontem, segundo a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Estado (Fetag-RS), do 5º Grito de Alerta em São Luiz Gonzaga, nas Missões.
    O forte coro dos produtores é uma espécie de preparação para o Grito da Terra, movimento nacional, que ocorre entre os dias 19 e 21 de maio.
    – A gente aquece as baterias e faz um chamamento para que o agricultor vá para as ruas e cobre seus direitos – observa Carlos Joel da Silva, presidente da Fetag-RS.
    Entre os temas debatidos e parte da pauta de reivindicações do movimento nacional estão o crédito fundiário e recursos para a habitação rural, além da infraestrutura dos municípios.
    A entidade reclama que além da escassez de recursos, os processos de crédito fundiário estão parados. Segundo o presidente da Fetag-RS, há dois anos não são recebidas demandas novas.
    O tema corrupção também foi debatido no encontro. De forma simbólica, os agricultores presentes fizeram um enterro da corrupção – malas de dinheiro foram depositadas em um caixão.
    Houve ainda uma caminhada até o trevo da BR-285 com a interrupção do tráfego na rodovia por cerca de 40 minutos.
    Na próxima terça-feira, a Fetag-RS entregará ao governador José Ivo Sartori – que confirmou presença em evento da entidade – o documento com a pauta do Grito estadual.

  • NO RADAR

    Em defesa da filantropia da Emater, comitiva gaúcha vai a Brasília nos dias 26 e 27. Entre os compromissos, a entrega do documento elaborado em audiência pública realizada na Assembleia do Estado e uma agenda já confirmada no Superior Tribunal de Justiça. O STJ julga um dos recursos da ação popular movida em defesa da manutenção do certificado de entidade beneficente de assistência social.

  • COLHEITA MÓVEL

    Uma das atrações da 5ª Feira da Floresta, que será realizada de segunda a sexta-feira da próxima semana, em Nova Prata, é o simulador de colheita.
    A unidade móvel será disponibilizada pelo Senai, que oferece treinamento para operar as máquinas nesse importante momento do ciclo de produção. Outras tecnologias dedicadas ao setor também estarão expostas.
    – Há desde o trator adaptado até o braço que faz o alcance da árvore – explica Jorge Antônio Heineck, direto-executivo da Associação Gaúcha de Empresas Florestais, promotora do evento.
    Além da feira, ocorrem simultaneamente o 12º Congresso Florestal Estadual, o 1º Fórum Sul-brasileiro da Engenharia Florestal, o Prêmio Mérito Florestal Ageflor, o 3º Dia do Pínus e o ciclo de palestras.
    – Essas plastestras terão como foco o pequeno e o médio produtor, que precisam buscar oportunidades no setor – acrescenta Nilvia Röhrig, sócia da Futura Feiras e Empreendimentos, organizadora do evento.

  • PEDIRAM PARA SAIR

    Na primeira semana em que esteve com o programa de desligamento incentivado aberto, a Emater contabilizou quatro adesões. O prazo para funcionários mostrarem interesse na proposta vai até o fim do mês. A estimativa da direção é de que entre 150 e 250 pessoas entrem no programa.
    O foco são funcionários com mais de 25 anos de serviço, aposentados que continuam trabalhando, mulheres com mais de 55 anos e homens com mais de 65 anos.
    A Emater tem 2,54 mil trabalhadores e está tendo de dar sua cota de sacrifício no ajuste de contas determinado pelo governo de Estado.

  • O PRÓXIMO DEBATE ENVOLVENDO O CAR

    Essa é daquelas propostas que dão o que falar. O deputado federal Heitor Schuch (PSB) quer que agricultores familiares sejam dispensados da obrigatoriedade do Cadastro Ambiental Rural (CAR). O prazo para o preenchimento dos dados foi prorrogado por mais um ano.
    No próximo dia 21, Schuch levará o assunto à ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que participa de reunião da Comissão Geral da Câmara.
    Para o parlamentar, o governo está cobrando uma exigência do produtor trazida pelo novo Código Florestal sem cumprir com a sua parte, de pagamento por serviços ambientais.
    A dispensa do preenchinmento do CAR não é exatamente um ponto de acordo entre representantes do setor da agricultura familiar e promete polêmica.
    – Justamente por não ser tema de consenso, temos de oportunizar o debate – pondera Schuch.

Fonte: Zero Hora