CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein

 

  • MUDANÇA NA ROTINA DA FISCALIZAÇÃO

    Ainda falta detalhar como se chegará às metas traçadas pelo Plano Nacional de Defesa Agropecuária, anunciado ontem. Em outras palavras, é agora que começa o trabalho de operacionalização das mudanças propostas, que não são poucas.
    Nos próximos cinco anos, seis eixos irão guiar o trabalho de defesa, área que garante não apenas a sanidade animal e vegetal, mas também monitora a qualidade dos produtos.
    E é aí que entra uma alteração importante feita em decreto publicado também ontem. A modificação do Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Riispoa) vai transformar a forma como inspeção e fiscalização são feitas nos frigoríficos.
    Atualmente, o fiscal federal agropecuário acompanha abates e todos processos produtivos. Daqui para frente, sua ação permanente ocorrerá apenas no abate. Nas demais atividades, fará somente auditoria, ficando a responsabilidade de fiscalização a cargo das indústrias.
    – Sai da tutela do Estado e passa a ser uma exigência das empresas. A responsabilidade do setor de produção aumentará – entende Rogério Kerber, presidente do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal e diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos.
    A modificação também ajudaria o governo a não elevar custos, já que há conhecida escassez no número de fiscais no país. Para Kerber, as indústrias serão obrigadas a ter profissionais de qualidade para atender essa demanda, porque serão responsabilizadas caso problemas sejam detectados.
    Fernando Groff, diretor de defesa agropecuária do Estado, entende que não se trata de “deteriorar o serviço oficial, mas sim, aumentar o poder de fogo na fiscalização de rotina”.
    Essa interpretação está longe do consenso. Para o presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária, Rodrigo Lorenzoni, a modificação não é positiva:
    – A gente não pode olhar isso sob a ótica do custo. Quem ganha com isso? Qual a vantagem para a segurança sanitária?
    Lorenzoni argumenta que o sistema de autocontrole já existe hoje na figura do responsável técnico mas é aliado ao do fiscal, sendo “uma segunda barreira a eventuais problemas”.
    – Se com a obrigatoriedade do serviço de inspeção já tivemos de conviver com leite adulterado, carne com toxoplasmose e abigeato, imagine sem – questiona Ricardo Capelli, vice-presidente do Sindicato dos Médicos Veterinários do Estado.
    Um debate acalorado que, assim como o novo plano de defesa, apenas começou.

  • PARA ATRACAR NO ESTADO

    Com faturamento de R$ 10 bilhões ao ano, fatia de 25% do mercado no país e 40% do gaúcho, a Yara Fertilizantes quer crescer ainda mais.
    E o adubo para essa expansão poderá vir de investimento feito no Rio Grande do Sul. O conjunto de ações em estudo para a expansão chega a cerca de R$ 1 bilhão, incluídos aí R$ 250 milhões em aportes feitos em 2014 e neste ano.
    O próximo passo seria revitalizar unidades no porto de Rio Grande para ampliar a porta de entrada de insumos e produtos para serem levados a pontos no chamado corredor de grãos – Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul.
    – Hoje, 1,5 milhão de toneladas de produto passam por esse corredor. Nossa projeção é chegar a 2,5 milhões de toneladas em 10 anos – explica Lair Hanzen, presidente da Yara Brasil Fertilizantes.
    No início do ano, a Yara procurou o governo do Estado para sinalizar a intenção de desenvolver o projeto em solo gaúcho. Um dos pontos abordados foi a perspectiva de manutenção do regime de tributação – há redução de 75% em ICMS. A decisão se o investimento atracará no nosso porto ou não sai ainda em 2015.
    – A preocupação é ter sustentabilidade para competir a longo prazo. Nosso interesse é de que o investimento seja aqui – assegura Hanzen.
    Nos últimos anos, a Yara colocou no seu portfólio a Bunge – comprada em 2013 – e 60% da Galvani.
    Atualmente, o Brasil importa 70% dos fertilizantes utilizados. Entre os componentes, esse percentual pode ser ainda maior: 80% do nitrogênio, 95% do potássio e 50% do fósforo vêm de fora.
    Confira depoimento do presidente da Yara em zhora.co/investimentors.

  • NO RADAR

    O governo paranaense deverá nomear hoje 169 técnicos para atuar na Agência de Defesa Agropecuária do Paraná. A ação faz parte dos esforços para alcançar o status de livre de febre aftosa sem vacinação.

  • CONTRA O RELÓGIO

    Reduzir o tempo de espera para registro de estabelecimentos no Ministério da Agricultura em 70% também é uma das metas do Plano Nacional de Defesa Agropecuária.
    A ministra Kátia Abreu prometeu redução nos prazos de análises dos processos que chegam ao ministério, passando de 24 meses para um intervalo de quatro a oito meses, tempo mínimo pela necessidade de se cumprir trâmites internos.
    A execução do plano será dividida em duas etapas: a primeira vai até junho de 2016. A segunda, até 2020.

  • NOSSO FEIJÃO

    O feijão brasileiro vai por a mesa da população da Guatemala, na América Central. Serão doadas, via Companhia Nacional de Abastecimento, 3 mil toneladas de feijão comum, de estoques públicos em Santa Catarina. No dia 15, ocorre um leilão de contratação de frete.

Fonte: Zero Hora