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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein

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  • DESPERDÍCIOLONGE DA PRODUÇÃO

    Em tempos de falta de água e energia escassa e cara, gerenciar os recursos da produção no campo da forma mais racional é imprescindível para o produtor. Mais do que isso, garante a sustentabilidade da atividade ou seja, benefícios econômicos e ambientais. O assunto também encontrou espaço nos corredores e debates da Agrishow, encerrada na sexta-feira.
    – A irrigação potencializa de tal forma a produção agrícola que acaba sendo uma economia de água – afirma Carlos Pastoriza, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), rebatendo as críticas de que a produção é uma das vilãs no consumo do recurso.
    Atualmente, apenas 7% da área agricultável no Brasil utiliza o sistema de irrigação – cerca de 5,5 milhões de hectares. No Rio Grande do Sul, o percentual fica em torno de 3% da área cultivada. Ou seja, há um vasto terreno para a expansão. Só a Abimaq reúne 34 empresas dedicadas a esse tipo de tecnologia.
    – O produtor sempre teve uma preocupação com a sustentabilidade. A pesquisa tem se dedicado a encontrar variedades de plantas que consumam menos água – diz Gustavo Junqueira, presidente da Sociedade Rural Brasileira.
    Fábio Meirelles, presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo e da Agrishow, acrescenta que nem toda a água destinada à agricultura fica em uso direto:
    – O que ocorre em uma seca é que o nível do lençol freático desce muito.
    Nas produções de cana-de-açúcar, a palha que sobra após a colheita pode ser recolhida e reaproveitada para a produção de energia. Aliás, o mercado das enfardadeiras – máquinas que recolhem e enfardam a palha – é uma das apostas da indústria. Estudos mostram que apenas 5% da palha da cana é recolhida no Brasil. Se esse percentual subisse para 50% daria para fornecer energia necessária para toda a região Centro-Oeste.
    – É um setor novo, com muito para desenvolver – reforça Jak Torretta Junior, diretor de marketing de produto da Valtra, que tem na produção de cana seu grande potencial de mercado.
    DO ROBÔ ÀS CRIANÇAS
    Quando o espaço é disputado e as opções são variadas, caso de feiras como a Agrishow, vale usar recursos extras para atrair a atenção do público. A John Deere, por exemplo, levou pela primeira vez para Ribeirão Preto um robô, ou melhor, uma robô, que tinha entre as suas atribuições apresentar as novidades da marca por meio de vídeos, além de permitir ao visitante tirar uma foto, posteriormente enviada por e-mail. E nada de ficar só parada. A atração circulava pelo estande.
    – Levar um robô inteligente é uma forma de demonstrar a tecnologia de ponta e inovação pela qual a marca é reconhecida, reforçando que as máquinas podem pensar e trabalhar com os homens para melhor sua produtividade e rentabilidade – afirma Elisa Azevedo, supervisora de comunicação e embaixadora da marca John Deere para o Brasil.
    Desafiada pelo momento econômico, a empresa apostou nos lançamentos – 11 em 2015 – para tentar fisgar o produtor.
    – Para ter uma maior participação de mercado, é preciso se reiventar – diz Paulo Herrmann, presidente da John Deere Brasil e vice-presidente de marketing e vendas para a América Latina.
    Apresentando na feira de Ribeirão uma colhedora de café que promete revolucionar o trabalho de colheita, a Jacto oferecia um espaço kids: enquanto o agricultor observava as máquinas, o filho podia ficar brincando.
    – O lançamento de um produto novo como esse é uma medida para ter um resultado bom em um ano ruim – entende Valdir Martins, diretor comercial da Jacto.

  • IMUNIZAÇÃO SOB AVALIAÇÃO

    Presidente da comissão de agricultura do Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codeseul), o secretário de Agricultura do Rio Grande do Sul, Ernani Polo, pretende marcar reunião do grupo de trabalho que tem a defesa como tema até o dia 20 deste mês. Técnicos dos quatro Estados – RS, SC, PR e MS e das superintendências do Ministério da Agricultura devem se encontrar, em um primeiro momento, com Décio Coutinho, secretário de Defesa Agropecuária do ministério.
    – Minha posição é de que precisamos avançar, até porque o Paraná está bem definido – diz Polo, sobre a discussão em torno da retirada da vacinação contra a aftosa.
    Na sexta-feira, o Rio Grande do Sul deu início à campanha de imunização do rebanho em uma propriedade de Três de Maio.

  • Fonte: Zero Hora