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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein

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  • PARA CRIAR UMA OUTRA IMAGEM

    Protagonista do advento dos transgênicos nas lavouras brasileiras, a Monsanto quer estar à mesa dos brasileiros. Para isso precisará vencer a resistência criada à marca em meio ao polêmico e barulhento processo de implantação da biotecnologia no país há quase duas décadas.
    A empresa virou sinônimo de transgênico e vice-versa. É o preço cobrado pelo pioneirismo no desenvolvimento da primeira soja geneticamente modificada. Enquanto concorrentes como Bayer e Basf aguardam liberação de mercados importantes, como a China e a União Europeia, para colocar seus produtos no circuito comercial, a multinacional americana segue em voo solo.
    O fato é que em conversa com grupo de jornalistas ontem, em São Paulo, a empresa fez um mea culpa e admitiu que teve falhas no momento da introdução da transgenia no Brasil. Direcionou seus esforços para o público-alvo, agricultores e técnicos do campo, e esqueceu de conversar com o resto da sociedade.
    – Talvez no passado a gente devesse ter falado mais. Temos de esclarecer os benefícios da biotecnologia – diz Maria Claudia Souza, diretora de Assuntos Corporativos da Monsanto do Brasil.
    Para tentar se dissociar dessa imagem, a multinacional busca aproximação com o público, mostrando que o desenvolvimento de variedade é apenas uma de suas faces. A campanha Na Mesa Com a Monsanto foi lançada para abrir um canal de comunicação com as pessoas por meio de um portal.
    Há ainda outros obstáculos. Como a polêmica em torno da cobrança de royalties. O Estado mantém, por meio de ação da Fetag-RS e dos sindicatos rurais, processo referente à primeira geração de soja transgênica, a RR1. Os representantes dos agricultores ganharam em primeira instância, perderam em segunda, e recorrem da decisão.
    – A importância da remuneração é pelo investimento feito em pesquisa – afirma Rodrigo Santos, presidente da Monsanto do Brasil.
    Para 2015, US$ 150 milhões serão aplicados pela companhia no país em unidades de pesquisa e produção de sementes.

  • EFEITO DA PRESSÃO

    Contestado por produtores rurais e representantes do setor, o emplacamento obrigatório de máquinas agrícolas a partir de 1º de janeiro de 2015 poderá ser adiado novamente.
    O Departamento Nacional de Trânsito, do Ministério das Cidades, informou ontem que apresentará proposta ao Conselho Nacional de Trânsito (Contran) para postergar o prazo da vigência da Resolução 447/2013 por um ano. A prorrogação teria como objetivo dar mais tempo para discutir as adaptações necessárias. A reunião do Contran está marcada para o dia 18.
    Também ontem, uma emenda aprovada na comissão mista que trata da Medida Provisória 656 põe fim à obrigatoriedade do licenciamento anual prevendo um cadastro único das máquinas. De autoria do deputado federal Luis Carlos Heinze (PP-RS), precisa ser aprovada pelos plenários da Câmara e do Senado para ser sancionada pela presidente Dilma Rousseff. Tudo isso, antes de o ano acabar.
    A pressão para evitar que a regra entre em vigor na virada do ano deve ser reforçada hoje em mobilização no Estado, onde produtores prometem trancar estradas para protestar. A Fetraf-Sul também vai a Brasília tratar do tema.

  • NOVO MOMENTO PARA O LEITE

    Depois de 35 anos no setor, Alexandre Guerra, diretor administrativo financeiro da Cooperativa Santa Clara, chega em 2015 com desafio novo. Na presidência do Sindicato das Indústrias de Laticínios do Estado, quer reduzir os danos causados à imagem do leite a partir de problemas expostos nas sete fases da Leite Compen$ado:
    – Precisamos melhorar processos, do produtor à indústria, passando pelo transporte. Temos parceria com a Embrapa para uso de equipamento de medição automática de volume e hora da coleta.
    Outra pedra no sapato poderá vir do mercado externo:
    – Em 2015, cairão as cotas de produção na União Europeia. Isso deve reduzir preços e ampliar importações.
    Guerra substitui o presidente atual, Wilson Zanatta.

  • CONTRASTES

    A safra gaúcha em 2014/2015 poderá ser marcada por contrastes. A produção da principal cultura de inverno, o trigo, teve quebra de 50% em relação ao ciclo anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Por outro lado, o levantamento aponta possibilidade de colheita recorde de soja: 13,7 milhões de toneladas.
    Parte desse resultado deve ser alcançado com alta de 4,1% da área cultivada – pela primeira vez o Estado deve atingir 5 milhões de hectares. Dos 200 mil hectares extras semeados com a soja, 75 mil hectares estão na Fronteira Oeste.
    O comando da Associação Brasileira de Angus (Aba) voltará a ser de um gaúcho. José Roberto Pires Weber, presidente do Sindicato Rural de Dom Pedrito, assume a gestão da entidade a partir de 1º de janeiro de 2015.
    Ele substituirá o mineiro Paulo de Castro Marques, que ficou durante dois mandatos. A posse da nova diretoria será hoje, em evento na Capital.
    essa é a segunda vez que weber preside a associação.

  • NO RADAR

    A possibilidade de federalizar a fiscalização de produtos de origem animal foi afastada ontem em Brasília. Emendas apresentadas à Medida Provisória 656 – após a MP 653 caducar – foram rejeitadas pela comissão mista.
    Colaboraram Joana Colussi e Thiago Copetti

 

Fonte: Zero Hora