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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein

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  • APENAS LEITE

    Na mais recente etapa da Operação Leite Compen$ado, a indesejada adição feita ao alimento foi de água e sal. Aparentemente mais “inofensivos” do que ingredientes anterioremente detectados pelas ações do Ministério Público Estadual – como formol, água oxigenada e soda cáustica –, esses itens não constam na lista de composição do leite UHT, o popular leite de caixinha.
    É aí que está o maior de todos os problemas. Mesmo que fossem livres de efeitos colaterais – leia mais sobre o assunto na reportagem das páginas 6 e 7 –, são produtos que não deveriam estar dentro da embalagem.
    Ao acrescentá-los, os fraudadores estão rompendo o que há de mais primordial na relação entre quem produz e quem consome: a confiança. Mais do que isso, abalam a credibilidade de um setor no qual há gente séria trabalhando para garantir a qualidade do leite. O Rio Grande do Sul, segundo maior produtor nacional, atrás de Minas Gerais, infelizmente tem ganhado as notícias por conta dos escândalos, não pelas iniciativas boas que tem.
    Diante da repetição dos casos – e apesar das ações e punições aplicadas – quem pode culpar as pessoas por terem dúvidas na hora de escolher qual produto levar para casa?
    Como em qualquer crise, é preciso jogar limpo para reconquistar o consumidor.
    Muitos especialistas apontam que para barrar os mal-intencionados, o caminho é ampliar a prática já adotada em algumas indústrias de remunerar pela qualidade do produto. O sistema que paga por quantidade de leite entregue é uma porta aberta para os oportunistas de plantão.

  • ALIMENTO DO SETOR

    O crescimento vindo da produção de aves, suínos e de leite ajudou a alimentar o resultado do PIB da agropecuária gaúcha no terceiro trimestre. A alta foi de 12,9% na comparação com o trimestre anterior.
    O economista Sérgio Fischer, da Fundação de Economia e Estatística (FEE), observa que o percentual é “bem fora da curva” e reflete variações da sazonalidade.
    No acumulado de 2014, o avanço do PIB da agropecuária está mais dentro da curva: 0,8%
    – Sabemos que a pecuária teve um desempenho satisfatório – complementa, em relação ao terceiro trimestre deste ano.
    A estimativa preliminar é de que os suínos apresentem, no ano, crescimento em torno de 6%, as aves entre 5% e 6%, e o leite, 7%.
    Na agricultura, o resultado vai estar “taco a taco com 2013”.
    – A soja está crescendo em área, mas não em produtividade – pondera Fischer.

  • PARA A NOVA LEGISLATURA

    Um projeto de lei que prevê o fim da figura do atravessador no caminho entre a propriedade e a indústria de leite foi apresentado em setembro na Assembleia gaúcha. Atualmente, está na Comissão de Constituição e Justiça, à espera do parecer sobre sua constitucionalidade e legalidade.
    O texto, do ex-secretário de Agricultura e deputado estadual Luiz Fernando Mainardi, impõe a condição de que o transporte de leite cru seja feito exclusivamente por transportadores e motoristas cadastrados.
    Como falta pouco para o fim do ano, é provável que essa discussão fique para a nova legislatura. Mainardi se reelegeu e deve manter o projeto.
    Continua a mobilização para evitar que a exigência de emplacamento de máquinas agrícolas entre em vigor em 2015. Ontem, a Fetraf-Sul solicitou audiência com o Conselho Nacional de Trânsito para nova prorrogação da data e com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, para negociar a reedição de medida Provisória da presidente Dilma Rousseff. Parlamentares também tentam uma alternativa.

  • NO RADAR

    A delegacia sindical do Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários no Estado ganha hoje nova diretoria. Consuelo Paixão Côrtes assume com a proposta de valorização da categoria.

  • NO RITMO DAS LAVOURAS

    De origem argentina e controlada pelo fundo de investimentos Pampa Capital desde 2010, a Pla mira esforços no mercado brasileiro. Vai abrir o calendário de 2015 com o lançamento, na Show Rural Coopavel, feira realizada em fevereiro em Cascavel (PR), de um pulverizador voltado a pequenos e médios produtores.
    A marca reforçou suas apostas no mercado brasileiro nos últimos dois anos e colhe resultados. As revendas no país, que em 2012, eram 15, hoje são 43 (12 no Rio Grande do Sul). A meta ambiciosa é chegar a 2016 com 80 concessionárias. Igualmente otimista é o planejamento da fatia atual dos atuais 3% de mercado para de 7% .
    A fábrica em Canoas (foto) está sendo ampliada, em um investimento de cerca de R$ 2,5 milhões.
    – Antes, o produtor se preocupava com plantio e colheita. Hoje, o crescimento de pragas e a necessidade de aumentar a produtividade estão fazendo com que se preocupe mais com a pulverização – diz Renato Silva, diretor de vendas e marketing da Pla.

Fonte: Zero Hora