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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein

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  • COMO SEGURAR O ESTRAGO QUE AVANÇA

    Referência e um dos maiores produtores nacionais de trigo, o Rio Grande do Sul tem uma difícil equação a ser resolvida daqui para a frente. Com o avanço da colheita, que ontem chegava a 72% da área plantada, segundo dados da Emater, os prejuízos se consolidam e deixam os produtores em maus lençóis.
    O primeiro passo na busca de solução, acertado ontem em reunião da Frente Parlamentar da Agropecuária da Câmara dos Deputados em Porto Alegre, será uma classificação – a ser feita por cerealistas e cooperativas – do grão colhido. O objetivo é buscar o mercado mais adequado.
    – É preciso fazer a classificação para saber que tipo de consumo tem o trigo. E, a partir daí, fazer proposta para o ministério (da Agricultura) – sugeriu o deputado federal Luis Carlos Heinze (PP-RS).
    Também deverá ser feita solicitação para renegociação das parcelas de financiamentos de custeio, para período de cerca de cinco anos.
    A prorrogação foi defendida no encontro pelo presidente da Cotrijal, Nei Mânica, amparado nos cálculos de que o seguro não irá cobrir os custos por hectare – houve grandes investimentos em tecnologia.
    O produtor fez a sua parte, o clima, não. A combinação de excesso de chuva e umidade com temperaturas elevadas trouxe doenças às lavouras. Disseminou velhos conhecidos, como a giberela, e também outros mais raros, como o brusone.
    Há esperança de que as lavouras colhidas na região dos Campos de Cima da Serra possam amenizar um pouco o prejuízo. A julgar pelo que se sabe até agora, o quadro é mesmo preocupante. Até ontem, 12,9 mil comunicações de ocorrências de perdas haviam chegado à Emater.
    Na regional em Santa Rosa, com total de 300 mil hectares, as perdas chegam a 60%. Em Ijuí, 45%. Em Frederico Westphalen e Soledade, 50%, em Erechim, 40%, e em Passo Fundo, 30%.
    – Ainda não existe um número médio de perdas do Estado. O grande problema é mesmo com relação à qualidade do produto colhido – reforça Dulphe Pinheiro Machado Neto, gerente técnico estadual da Emater.

  • CONTAS DA SAFRA

    Bancos mostram os números referentes à produção de trigo no Estado
    BANCO DO BRASIL
    -R$ 612 milhões financiados
    -10,42 mil pedidos de Proagro encaminhados
    -1,8 mil pedidos de indenização entre os 2,4 mil contratos de seguro rural
    SICREDI
    -R$ 350 milhões financiados
    -9,2 mil operações feitas com Proagro Mais e 1,8 mil de Proagro tradicional
    -7,7 mil pedidos de Proagro Mais encaminhados e 1,4 mil de Proagro

  • DO IMEDIATO AO IDEAL

    Três grandes propostas saíram da mesa de debates da audiência pública realizada na Comissão de Agricultura da Assembleia sobre atraso de pagamentos aos produtores de leite. A estimativa é que 5 mil pessoas tenham valores entre R$ 500 a R$ 30 mil, cada, a receber da indústria.
    A mais imediata é a tratativa com o Ministério do Desenvolvimento Agrário para que seja criada uma linha de crédito emergencial que atenda a esses produtores, a maior parte familiares. Alteração da legislação de falências e recuperação judicial e necessidade de regras mais rígidas para a transporte de leite foram outros temas discutidos.

  • NO RADAR

    Foi encaminhado ontem o pedido para ampliação do calendário de plantio de arroz no Estado, como antecipado pela coluna. A solicitação é para que a janela de semeadura seja ampliada até 15 dezembro.

  • UM DON INDESEJADO

    Dos muitos problemas que a atual safra de trigo produzida no Estado apresenta, um atende pelo nome de DON, sigla usada para referência à micotoxina desoxinivalenol. A presença em níveis elevados no trigo inviabilza o uso do produto pela indústria.
    – Com índices elevados não pode ser usado na alimentação humana porque pode afetar o crescimento – ponderou Sergio Dotto, chefe da Embrapa Trigo.
    Também compromete o uso para a ração animal. O assunto veio à tona por representantes do Sindicato da Indústria do Trigo do Estado (Sinditrigo-RS).
    Pressionados na reunião da Frente Parlamentar Agropecuária para saber se estão comprando produto gaúcho, argumentaram que o trigo da atual safra está entrando com índices elevados de DON.
    – Vai haver demanda, mas com certeza não vamos consumir da mesma forma que há dois, três anos – argumentou Andreas Elter, do Sindtrigo.
    O contraste entre a situação vivida no ano passado e a enfrentada neste ano esquentou os ânimos do debate. Em 2013, o Rio Grande do Sul produziu safra recorde de 3,35 milhões de toneladas mas teve dificuldade na venda. Agora, acumula perdas em volume e qualidade.
    O presidente da Federação da Agricultura do Estado, Carlos Sperotto, voltou a lamentar as isenções da Tarifa Externa Comum concedidas pelo governo federal em 2013 e 2014. O benefício prejudicou o escoamento do cereal gaúcho, justamente no momento em que havia oferta de qualidade e o preço estava valorizado.
    – Quando nós chegamos ao produto desejado, não encontramos mercado – rebateu Sperotto.

  • NOVO ACORDO COM OS CHINESES

    A combinação entre a demanda chinesa e a produção brasileira vem ampliando os negócios entre os dois países. Tanto que hoje a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) assina em Pequim um acordo de cooperação com a Associação de Inspeção e Quarentena da China para carne de frango e suína.
    O objetivo é realizar a troca de informações de itens como legislação e procedimentos técnicos, que ajudem a reforçar as vendas.
    Aproveitando a presença do vice-presidente de aves, Ricardo Santin, e do ministro da Agricultura, Neri Geller, a entidade também buscará a liberação de novas plantas para exportação. Atualmente, 29 frigoríficos de aves têm aval para realizar embarques ao país asiático.
    É Friboi? O lucro líquido da JBS, dona da marca de carne bovina da famosa – e polêmica – propaganda com Tony Ramos, encerrou o terceiro trimestre com
    R$ 1,1 bilhão,
    quantia quase cinco vezes maior do que a obtida em igual período do ano passado. A companhia atribui o resultado à melhora operacional dentro e fora do país.

Fonte: Zero Hora