.........

CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein

.........

 

  • LUZES SOBRE O PRONAF

    Criado para atender as necessidades de crédito dos pequenos produtores, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) vive neste momento a incômoda situação das suspeitas lançadas pelas denúncias de irregularidades apuradas no Rio Grande do Sul.
    Esclarecer o que de fato ocorreu é, mais do que uma satisfação necessária aos 6,3 mil produtores que teriam sido lesados, fundamental para manter a credibilidade.
    A garantia de que a confiança no sistema não será abalada é importantíssima, já que o programa facilitou, de fato, o acesso dos pequenos produtores aos financiamentos, ajudando, ao mesmo tempo, a desenvolver a indústria de máquinas e implementos.
    O peso do Estado também é significativo: o Rio Grande do Sul contrata 25% dos recursos liberados via Pronaf. Ciente da gravidade das denúncias, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Laudemir Müller, reafirma que a situação está sendo monitorada de perto – técnicos estiveram com as famílias de agricultores em Santa Cruz do Sul.
    O programa, acrescenta, já vem sendo aprimorado e será ajustado “todas as vezes que for percebida a necessidade”.
    – Hoje, nosso banco de dados é cruzado com vários outros dados do governo federal – exemplifica Müller.
    Na última sexta-feira, Associação Santa-Cruzense dos Agricultores Camponeses (Aspac) foi descredenciada do programa. Müller não acredita que o Pronaf caia em descrédito por conta das suspeitas.
    – São graves, estão sendo investigadas, mas são localizados – entende o secretário.
    A preocupação em garantir a lisura dos processos é proporcional à tão divulgada grandeza do programa: são 2,5 milhões de produtores atendidos no país e 300 mil famílias beneficiadas no Estado, que deve contratar R$ 5,9 bilhões dos R$ 24,1 bilhões liberados para o atual ciclo.

  • BROTOS DA NOVA SAFRA

    O plantio de soja começa a ganhar ritmo no Estado no momento em que o preço do grão se recupera no mercado internacional. Levantamento da Safras & Mercado mostra que 78 mil hectares foram semeados no Rio Grande do Sul, 1,5% da área total. No país, chega a 22,57% – 7,09 milhões de hectares. As informações vão ao encontro do que apurou a Emater em seu último levantamento (na foto, lavoura de Lajeado Bonito, em Santa Rosa).
    No percentual gaúcho, há pequeno descompasso em relação à média do ano passado – quando a área somava, neste período, 6% – e dos últimos cinco anos, de 15%. Essa diferença se deve à chuva no final de outubro, mas não preocupa:
    – Se tiver um dado hoje, amanhã já está atrasado. O produtor tem uma capacidade muito grande de plantio – avalia Décio Teixeira, presidente da Associação dos Produtores de Soja do Estado.
    A recuperação dos preços no mercado vem como um bom incentivo neste momento. Depois de chegar ao menor patamar dos últimos quatros anos, o bushel (medida equivalente a 27,2 quilos) voltou a superar a barreira dos US$ 10 na Bolsa de Chicago.
    – A demanda pela soja americana e os estoques baixos estão pressionando o preço – explica Luiz Fernando Gutierrez Roque, analista da Safras & Mercado.
    Por aqui, a alta do câmbio também está favorecendo o produtor.

  • PORTAS ABERTAS NA ÁFRICA

    Depois de nove anos, o Brasil deve finalmente retomar as exportações de carne suína para a África do Sul.
    A notícia foi repassada ontem à Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e será comunicada hoje na abertura do 4º Congresso Sul-Brasileiro de Avicultura, Suinocultura e Laticínios (Avisulat), que será realizado em Porto Alegre.
    Neste momento, as portas serão reabertas, segundo a ABPA, para produtos brasileiros destinados a abastecer indústria e atacado do país sul-africano. O mercado foi fechado após foco de febre aftosa registrado no Brasil em 2005.

    NO RADAR
    A SEGUNDA etapa da vacinação contra febre aftosa foi oficialmente aberta, ontem, na propriedade de Elio Martins, em Santa Maria. A estimativa é de que 5 milhões de bovinos e bubalinos sejam imunizados. O foco são animais com até 24 meses.

  • Para a Trajano Silva Remates, a atual temporada de primavera teve um saldo positivo: o faturamento nos oito leilões realizados somou R$ 12,57 milhões, alta de 19% em relação ao ano passado. Além da liquidez nos negócios, o leiloeiro Marcelo Silva destaca as médias 10% maiores da atual temporada.

Fonte: Zero Hora