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CAMPO ABERTO – Embargo russo com data para acabar

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Não é que o embargo russo, em vigor desde sexta-feira, não preocupe o Brasil. É que as razões para a medida ficaram tão óbvias que a suspensão da compra de carne bovina e suína é tida como algo temporário. Os russos aproveitam o período do ano, de baixa nas compras e estoques em alta, para pressionar o governo brasileiro a liberar a venda de trigo, pescado e picanha bovina. É uma interrupção diferente daquelas do passado.

– É um jogo de cena. Embarga-ram em época que não costumam importar. É assunto temporário – avalia Carlos Cogo, consultor em agronegócios.

A razão vem dos números. A Rússia precisa importar carne suína de outros países para abastecer seu mercado interno – cerca de 325 mil toneladas por ano. Como mantém restrição, desde 2014, aos Estados Unidos e à União Europeia, tem no Brasil o principal fornecedor. Ou seja, quando a fome bater, será hora de abrir mão da briga comercial.

– Adotaram a medida porque tinham estoque e os brasileiros não iam poder vender agora, foram usadas todas as cotas. Em janeiro, reabrem – diz Ricardo Santin, vice-presidente e diretor de mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Se não traz efeitos imediatos, o imbróglio preocupa, sim, ao atrapalhar o planejamento das indústrias brasileiras. E porque a Rússia é um mercado de peso: segundo a ABPA, foi destino, neste ano, de 40% dos embarques de carne suína brasileira.

Embora seja um jogo comercial, os russos usaram argumento técnico. Afirmam que foi detectada ractopamina – substância permitida no Brasil, mas não lá. A ABPA garante que as indústrias segregam a produção e que as cargas são testadas antes do embarque, o que torna impossível a presença do aditivo.

Neste momento, é aguardado encontro do corpo de técnicos russos com os brasileiros. A indústria está pressionando o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, para atender ao pedido de abrir o mercado brasileiro ao trigo russo.

– É prioridade número um do setor de suínos resolver o problema da Rússia – diz Santin.

Para Cogo, a entrada do cereal russo, no entanto, pode ser a "punhalada que faltava para o trigo brasileiro".

Alerta para ferrugem ativado

Criado para monitorar o registro da doença no país, o Consórcio Antiferrugem identificou o primeiro caso de ferrugem asiática em lavoura de soja da atual safra no Estado. Conforme dados da Embrapa Soja, a ocorrência foi em Cruz Alta, no Noroeste.

A identificação veio a partir de uma amostra coletada no dia 16 de novembro. Segundo o professor Lucas Navarini, do Instituto Federal do Rio Grande do Sul, a chuva regular, com temperaturas mais frias à noite e formação de orvalho, tem favorecido o desenvolvimento da soja. Ao mesmo tempo, também são condições que contribuem ao aparecimento da ferrugem.

A recomendação é para que os produtores intensifiquem o monitoramento e observem a eficiência dos fungicidas.

no radar

A COMISSÃO DE PRODUTORAS Rurais da Federação da Agricultura do Estado realiza hoje a 93ª etapa do Fórum Permanente do Agronegócio, com o tema Assim Caminha o Agro. Além de cases e palestras, há ainda a premiação do Troféu Destaque Feminino Rural 2017, em que são reconhecidas mulheres em 10 categorias.

RECUO LIMITADO

O plantio da safra de arroz no Rio Grande do Sul chegará ao fim sem que uma das principais recomendações feitas pela Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz-RS) seja atendida. A redução do espaço destinado à cultura deve ficar bem abaixo do preconizado pela entidade.

Com 95,4% da área estimada semeada, o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) projeta recuo em torno de 2% na comparação com o ano passado.

– Haverá redução, mas não significativa – confirma Maurício Fischer, diretor técnico do Irga.

Apesar do mercado e dos preços desfavoráveis, muitos agricultores acabam mantendo o investimento no arroz pelo fato de terem contratos de arrendamento, tendo de pagar pelo uso da terra. Presidente da Federarroz-RS, Henrique Dornelles vê com preocupação a manutenção da área – a entidade indicava redução de 15% para a cultura no Mercosul. Diz que a consequência será preços nos patamares atuais, com depressão no período de safra, como é histórico.

– Estamos em plena entressafra de arroz e o preço não evoluiu. Se não está remunerando, quanto mais eu plantar, mais aumento o meu prejuízo – entende Dornelles.

A previsão é de que a semeadura possa ser concluída ainda nesta semana. Na sexta-feira, foi publicado no Diário Oficial da União a prorrogação do calendário de plantio, que havia sido solicitada pelo Irga, em razão do atraso por conta do excesso de chuva na primavera.

A Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) deverá elaborar, ainda neste mês, termo de ajustamento de conduta para tentar destravar o uso do terminal de arroz no porto de Rio Grande. A Agência Nacional dos Transportes Aquaviários (Antaq) havia determinado a desocupação do imóvel em setembro ao alegar o não pagamento de multa. Houve recurso do Estado.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora