CAMPO ABERTO – EM 10 ANOS, ESTOQUE DE EMPREGOS SOBE 15%

Embora tenha perdido 1,6 mil vagas formais em 2017, o agronegócio gaúcho ganhou 47,8 mil postos de trabalho com carteira assinada nos últimos 10 anos. O resultado pode ser considerado bom e deve ser creditado principalmente à dinâmica do setor mais vinculada à demanda internacional do que à interna, avalia o economista Rodrigo Feix, da Fundação de Economia e Estatística (FEE). Em uma década, o estoque de celetistas subiu 15%, para 316,9 mil empregos.

O levantamento leva em consideração não apenas a agropecuária, mas os elos desde a fabricação de insumos e máquinas à venda e processamento das matérias-primas geradas pelo campo.

A maior parte dos empregos gerados foi nos negócios que sucedem a produção no campo. O segmento "depois da porteira" teve no período saldo de 31,2 mil vagas, aponta Feix, coordenador do Núcleo de Estudos do Agronegócio da FEE. Puxam a frente o comércio atacadista e o abate e fabricação de produtos de carnes.

– São armazéns e cerealistas, que recebem e comercializam a produção de soja, por exemplo, um serviço que teve demanda crescente. No abate e fabricação de produtos de carne, foi puxado muito por suínos e aves, que também, até 2015, eram beneficiados pelo mercado doméstico – observa Feix, lembrando ainda que a ocupação em lavouras temporárias, reflexo do aumento da produção de grãos no Estado, foi a terceira atividade com maior geração de postos formais.

Os setores que destruíram vagas nos últimos 10 anos enfrentam barreiras estruturais, avalia Feix. O que mais perdeu empregos foi o de curtimento e preparação de couros. É um setor historicamente vinculado à indústria calçadista, que enfrenta problemas de competitividade perante outros países da Ásia e América Central. Em declínio na zona sul do Estado, o segmento de conservas é o segundo que mais destruiu postos de trabalho, seguido pela indústria fumageira.

interino

CAIO CIGANA

Fonte : Zero Hora