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CAMPO ABERTO – DECISÕES FAVORECEM INDÚSTRIA DE DEFENSIVOS

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Avaliações dentro e fora do Brasil sobre uso de agrotóxicos tiveram desfecho favorável à indústria. Nesta semana, a Europa concedeu mais cinco anos para a venda do glifosato no bloco. O assunto era discutido há meses e muitos países defendiam período menor para a licença.

No Brasil, a Anvisa revisou a posição de suspensão do paraquat – em setembro, anunciou o banimento do produto em três anos. A alteração permitirá que o produto continue a ser usado por agricultores que já haviam comprado o herbicida. Do contrário, afirma o órgão, cairiam em situação de ilegalidade.

Na decisão em que determinou a proibição, apontou riscos de mutação genética e desenvolvimento de Parkinson para quem manipula o químico.

No Rio Grande do Sul, que tem legislação mais restritiva, o registro de paraquat foi indeferido pela Fepam, mas 13 produtos tiveram a venda liberada pela Justiça. Maior produtor mundial do herbicida, a China o baniu em julho do ano passado. E na Europa, onde foi desenvolvido, é proibido desde 2007.

Secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luís Eduardo Rangel defendeu a mudança anunciada pela Anvisa:

– O paraquat é importante na dessecação das culturas (secagem) e não existe hoje no mercado outra opção que dê o mesmo resultado.

Também nesta semana, o ministério confirmou o registro definitivo para o benzoato de emamectina, usado no combate da lagarta Helicoverpa armigera.

O Brasil é citado como o país que utiliza o maior volume de defensivos. Professor da Unesp, Caio Carbonari afirmou ontem, em evento em São Paulo, que a imagem no Brasil "é descolada da realidade":

– Quando olhamos a quantidade aplicada por área cultivada ou por tonelada produzida, estamos (Brasil) em uma situação muito confortável, atrás inclusive de países de clima temperado, com menor necessidade de químicos do que a agricultura tropical brasileira.

O uso de agrotóxicos, no entanto, segue suscitando debates.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora