CAMPO ABERTO – COLHEITA MOSTRARÁ TAMANHO DAS PERDAS NO TABACO

Com o início da colheita de tabaco, o Rio Grande do Sul começará a conhecer a dimensão dos estragos causados pelos temporais à produção. Na propriedade onde ocorre a cerimônia oficial, hoje, em Venâncio Aires, Antônio Alcir Coutinho estima perda de 30% em relação à expectativa inicial nos 17 hectares plantados com a cultura.

– Pegamos dois temporais. Primeiro, foi o vento. Oito dias depois, o granizo – conta.

Dados da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) mostram que, nos três Estados do Sul, 10.970 produtores tiveram lavouras atingidas por granizo. No mesmo período do ano passado, esse número era menos da metade: 4.318.

– Ainda é muito cedo para saber o prejuízo total. A safra vinha bem, mas o temporal atingiu os locais onde o fumo estava mais adiantado. Os ventos derrubaram plantas, e isso se reflete na produtividade – afirma Marco Antonio Dornelles, vice-presidente da Afubra.

Na safra passada, foram produzidas 705,93 mil toneladas. Para este ano, a projeção é de volume um pouco menor, 684,95 mil toneladas. Mas isso dependerá do quanto o clima prejudicou as plantações.

Segundo principal produto da pauta de exportação do Estado, o fumo envolveu 149,35 mil famílias na produção, em uma área plantada de 297,46 mil hectares nos três Estados do Sul. Presidente do Sindicato Interestadual do Tabaco (SindiTabaco), Iro Schünke lembra que mais do que quantidade, é a qualidade que importa, já que o país é o maior exportador mundial do produto – em 2016, a receita somou US$ 2,12 bilhões.

O trabalho se estende até fevereiro – na Zona Sul, o plantio ocorre mais tarde -, mas tem seu auge em novembro e dezembro. Essa será a primeira vez que ocorre evento oficial para a colheita do tabaco.

A cerimônia deve contar com o secretário de Agricultura, Ernani Polo, o governador José Ivo Sartori e o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora