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CAMPO ABERTO | Caio Cigana BANCOS MAIS OTIMISTAS PARA A EXPODIRETO

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    Ecoando a percepção vinda do campo, que une mais uma safra cheia de grãos no Estado com o sentimento de que, aos poucos, o país começa a sair da recessão, os bancos também esperam aumentar os negócios na Expodireto. A organização da feira, que se inicia na segunda-feira, em Não-Me-Toque, espera crescimento de 15% em relação à edição do ano passado, quando as vendas chegaram a R$ 1,58 bilhão, ainda em meio ao turbilhão da crise política e à falta de sinais de fim da crise na economia.
    Maior fonte de crédito para o agronegócio no país, o Banco do Brasil (BB) estima que as propostas de financiamento para aquisição de máquinas e equipamentos poderão chegar a R$ 700 milhões, ante R$ 500 milhões da última feira. Os números se referem a pedidos que vão para análise e podem ou não se confirmar, observa o superintendente estadual do BB, Edson Bündchen, lembrando que, em regra, cerca de 60% são efetivados.
    – Nossas expectativas estão mais otimistas, refletindo o sentimento do segmento por conta da safra de soja, milho e arroz. Isso deve se refletir no ânimo do produtor para adquirir máquinas – diz Bündchen, acrescentando ainda que, este ano, os agricultores poderão originar as propostas via celular, preenchendo dados básicos em um novo aplicativo disponibilizado pelo banco.
    Impressão semelhante tem o diretor de crédito do Banrisul, Oberdan Celestino de Almeida.
    O resultado das lavouras e a melhora do humor em relação às perspectivas para a economia tendem a favorecer os negócios.
    – Nosso otimismo é maior em relação às duas últimas feiras – compara Almeida.
    O banco estatal gaúcho soma R$ 104 milhões em financiamentos concedidos ano passado. Agora, sintonizado com as projeções da organização da feira, a intenção é elevar a contratação em 10% a 15%. Principalmente de implementos agrícolas.
    Para Almeida, após um período de cautela, os agricultores devem voltar a apostar na atualização do parque de máquinas, diante da rápida evolução tecnológica dos equipamentos.
    No Sicredi, outra instituição financeira com forte atuação no agronegócio, a visão é semelhante. Para este ano, os associados terão à disposição R$ 220 milhões. Na mostra do ano passado, foram R$ 132,5 milhões em pedidos de financiamento.

  • ESCOAMENTO NO ATOLEIRO

    Os números impressionam. Entre 4 mil e 5 mil caminhões estão ou ficaram retidos nas últimas duas semanas devido ao imenso atoleiro em que se transformou trecho não pavimentado de aproximadamente cem quilômetros na BR-163, no Pará. São veículos que carregam principalmente soja colhida no Mato Grosso, que deveria ser exportada por portos paraenses, como Santarém.
    As transportadoras de Mato Grosso calculam, até agora, R$ 50 milhões de prejuízos imediatos. Fotos e vídeos publicados em redes sociais mostram imensas filas de carretas, caminhões capotados, tratores de grande porte tentando livrar os veículos do barro e soja jogada fora na estrada.
    A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projetam que, a cada dia em que os portos ficam impedidos de embarcar os carregamentos de grãos rumo à Europa e à Ásia, as perdas somam US$ 400 mil. A dificuldade logística, agora agravada por chuvas incessantes, custa R$ 2 bilhões por ano ao Estado do Mato Grosso, sustenta o governo local. Caminhoneiros retidos receberam ontem mantimentos levados por aviões.
    Na tentativa de liberar o tráfego, durante o Carnaval foi montada uma força-tarefa composta por Polícia Rodoviária Federal, Exército, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes e governo do Pará. Ontem, a desobstrução era parcial e a promessa era, apesar das dificuldades, liberar a estrada para o trânsito a partir de amanhã. Uma das dificuldades é desfazer as filas duplas de caminhões ao longo da estrada para a passagem das equipes de manutenção.
    – Vai ser muito difícil conseguir liberar na sexta-feira. A chuva não dá trégua na região – diz o diretor-executivo da Associação dos Transportadores de Cargas de Mato Grosso, Miguel Mendes.
    O ministro dos Transportes, Maurício Quintella, recebe hoje representantes de agricultores e de grandes exportadores para tratar da estratégia logística que garanta a trafegabilidade da rodovia durante o período de chuva na região e o escoamento da produção.


    Enquanto o país vive desde o final de 2016 um ciclo de redução da Selic, o juro dos financiamentos para investimento ainda é o do Plano Safra lançado do ano passado. Os agricultores poderiam postergar a ida às compras à espera de melhores condições que reflitam este novo momento? Possivelmente não, apostam o superintendente estadual do BB, Edson Bündchen, e o diretor de crédito do Banrisul, Oberdan Celestino de Almeida. Ambos avaliam que a saída para não perder negócios dependerá das fabricantes, que poderiam reduzir os preços dos equipamentos para compensar o juro maior.

  • DE OLHO

    O caos no Pará, por enquanto, não tem reflexo no porto de Rio Grande, que também recebe ocasionalmente soja de Mato Grosso. Mas, se o problema persistir no norte do país, é possível a reprogramação de navios, admite José Antonio Mattos da Silva, gerente dos terminais Termasa e Tergrasa, por onde passam os maiores volume de grãos exportados pelo Estado.

  • NO RADAR

    Agricultura de precisão, drenagem, irrigação e controle de doenças são temas do dia de campo edição 2017, promovido pela Associação dos Usuários do Perímetro de Irrigação do Arroio Duro (AUD) e Irga, em parceria com a Embrapa e empresas do setor. O encontro tem início previsto para às 7h30 de amanhã, na Colônia Experimental da AUD, no quilômetro 399 da BR-116, em Camaquã.

  • DE RARAS A FREQUENTES

    Órgãos que atuam na repressão ao contrabando de agrotóxicos no Estado notam aumento da apreensão do inseticida benzoato de emamectina, proibido no RS. Apenas no período da safra 2016/2017 foram apreendidos no Estado 2,3 toneladas do produto, suficiente para o uso em 57,5 mil hectares de soja.

    Fonte : Zero Hora