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CAMPO ABERTO

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Meio passo rumo ao acesso à terra

A ampliação do teto do crédito para compra de terra por agricultores familiares é esperada há pela menos quatro anos. Ontem, o governo deu meio passo para atender a essa demanda. Decreto publicado no Diário Oficial da União amplia de R$ 80 mil para R$ 140 mil o limite. A alteração, no entanto, ainda não vale na prática.

Os novos parâmetros dependem de resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) para entrar em vigor. Reunião do órgão está marcada para a próxima quinta-feira e alimenta a esperança de que essa reivindicação possa ser, finalmente, atendida. A ampliação do teto é condição fundamental para destravar o Programa Nacional de Crédito Fundiário.

No Estado, o programa estacionou em maio do ano passado, quando o próprio governo federal determinou a suspensão em todo o país, em razão do vencimento dos contratos de bancos operadores.

– O decreto é um divisor de águas. Sem ele, não tem resolução nenhuma – aponta Márcio Madalena, delegado federal no Rio Grande do Sul da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário.

O caminho da burocracia, porém, ainda deve emperrar o encaminhamento de propostas com o novo valor até março. Carlos Joel da Silva, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS), diz que o decreto é uma boa notícia:

– Esperávamos há dois anos.

A estimativa da Fetag-RS é de que mais de mil agricultores gaúchos procuraram sindicatos com seus pedidos por crédito. Quando esteve no Estado, a secretária de Reordenamento Agrário, Raquel Santori, afirmou que este seria o ano para destravar o programa. A meta é fazer com que 650 famílias sejam beneficiadas com recursos.

– Nossa esperança é de que agora que saiu o decreto saia também voto do conselho para, finalmente, ressuscitar o programa, que se tornou um paciente abandonado – reforça o deputado Heitor Schuch (PSB), presidente da Frente Parlamentar da Agricultura Familiar.

ESPAÇO DO MILHO

Com o avanço da colheita – segundo a Emater, 10% da área total – o desenho da safra de milho do Rio Grande do Sul vai aparecendo.

Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgado ontem revisou para cima a área e a produção do grão na safra 2017/2018. Anteriormente, projetava-se redução de 12% de área e de 15,5% do volume. Agora, a estimativa aponta recuo de 9,5% no espaço e de 13,1% na quantidade. Ainda assim, os 728,4 mil hectares são a menor área da história.

– A Conab está olhando pelo retrovisor, são números de algum tempo atrás. Mantenho projeção de que a área encolha entre 15% e 20% – diz Ricardo Meneghetti, presidente da Associação dos Produtores de Milho do Estado.

Segundo o superintendente interino da Conab no RS, José Bicca, os dados referem-se ao período de 17 de dezembro de 2017. Mesmo com o ajuste para cima, ele estima que a produção fique aquém da demanda:

– Criadores de animais devem solicitar milho de outros Estados.

Sobre os efeitos da falta de chuva – em algumas regiões, foram de 25 a 30 dias sem precipitações -, só serão conhecidos com o fim da colheita.

– Haverá algum prejuízo. Mas a maior preocupação é com a área – completa Meneghetti.

no radar

SERÁ DE 7% o ICMS cobrado na saída do leite UHT produzido no Estado. Isso porque o item faz parte da cesta básica, esclareceu ontem a Secretaria da Fazenda ao Sindicato das Indústrias de Laticínios do RS(Sindilat). Até o ano passado, o produto era isento do imposto. A projeção inicial era de que a tributação seria de 18%.

grão brasileiro em terras estrangeiras

Depois de um 2017 positivo para o arroz branco (veja ao lado), o Brazilian Rice mira novos mercados. A meta, segundo Gustavo Ludwig, gerente do projeto, é confirmar a abertura do México e trabalhar para entrar na China. Sobre as dificuldades do setor produtivo, avalia:

– Custo da matéria-prima e dólar são dois componentes que vão sempre impactar na nossa competitividade externa.

Ainda que tenha ocorrido de forma irregular, a chuva do início deste ano ajudou no desenvolvimento das lavouras de soja, principal produto agrícola da safra de verão do rs. uma parte – 25% – está na fase reprodutiva e 5% na formação de vagens, segundo levantamento da Emater.

gisele.loeblein@zerohora.com.br gauchazh.com/giseleloeblein 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora |