CAMPO ABERTO

Possíveis vetos impactam negociação do Funrural

Pontos considerados importantes pelos produtores poderão estar entre os vetos do presidente Michel Temer na lei que cria o programa de regularização tributária rural leia-se renegociação do passivo do Funrural, a contribuição previdenciária do setor.A publicação no Diário Oficial deve sair hoje.

Ontem, prazo final para a sanção presidencial, houve intensa queda de braço entre técnicos da Receita Federal e de outras pastas do governo, justamente sobre os itens a serem barrados. Um dia antes, o debate incluiu parlamentares da bancada ruralista.

– Haverá vetos, sim. Não será de 100% da lei. Mas a Fazenda tem propostas. As coisas que podem ser barradas devem ser em relação ao passado (multa, correção, juro) – afirma a deputada Tereza Cristina (sem partido-MS), vice-presidente da Frente Parlamentar Agropecuária e relatora da medida provisória que embasou a legislação aprovada.

A não inclusão da isenção de multa, juro e correção significa um baque e tanto para o produtor – a quantia final a ser paga muda consideravelmente a partir disso. Estaria pesando a favor do veto o valor da renúncia fiscal – falou-se em até R$ 17 bilhões.

Tereza Cristina diz ter esperanças de manter outra questão: a possibilidade do recolhimento sobre folha. Eduardo Condorelli, assessor da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), também afirma que é importante ter essa opção.

A isenção de multas, juros e correções é vista como questão de justiça com o agricultor, na avaliação de Condorelli, uma vez que havia decisão anterior considerando a cobrança do Funrural inconstitucional:

– Não se chegou a essa situação atual por culpa do produtor. Consequentemente, entendo que devemos ter parcimônia.

Agora, é esperar para ver. Lembrando, é claro, que vetos presidenciais podem ser derrubados na Câmara e no Senado. Em se tratando de Funrural, nenhuma hipótese pode ser descartada.

Frutas à mesa

Porto Alegre deu ontem a largada oficial na colheita da uva e da ameixa, em cerimônia realizada na propriedade de Rogério Salomoni, no bairro Vila Nova, zona sul da cidade. A previsão é de volume de 110 toneladas de uva e 90 toneladas de ameixa.

Nesta safra, o clima teve efeitos sobre a produção. A combinação de excesso de calor, depois chuva e ventos fortes deve levar à redução no volume de frutas na zona rural da Capital – as projeções apontam entre 40% e 60%. A qualidade, no entanto, é considerada "muito boa", afirma Oscar Pellicioli, diretor de Fomento Agropecuário da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico.

Produtor de frutas e de hortigranjeiros, Salomoni confirma que essa será uma safra doce:

– Quando pega todo esse sol na colheita, acaba ficando bem doce.

Quem quiser conferir de perto a produção pode visitar a 27ª Festa da Uva e Ameixa, nos dias 13, 14, 20 e 21 no CTG Estância da Figueira, na Rua Doutor Vergara, 5.345, bairro Belém Velho.

no radar

Claudio Cava Corrêa assumiu em definitivo a presidência da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa). Desde abril de 2017, era interino – substituiu Carlos Kercher, afastado por liminar obtida pelo Ministério Público.

SOMBRA PARAA PECUÁRIA

Não é de hoje que o carrapato tira o sono dos pecuaristas gaúchos. Mas o crescimento da resistência aos produtos usados e a falta de frio no inverno estão criando ambiente ainda mais propício para o desenvolvimento do parasita. E aumentam a pressão por soluções.

– Nos últimos 20 anos, as drogas lançadas estão falhando, e não temos tido mais invernos como no passado. O pecuarista está vivendo com o problema de ter muito carrapato no campo e não ter produto para combater – afirma Ivo Kohek Junior, coordenador do serviços de doenças parasitárias da Secretaria da Agricultura e do grupo técnico de carrapato e tristeza parasitária.

O carrapato pode causar a tristeza parasitária, principal causa de morte no rebanho bovino do Estado – as estimativas são de cem mil animais por ano. E há os prejuízos econômicos: mais de R$ 350 milhões. – Isso está inviabilizando a pecuária do Rio Grande do Sul – lamenta Paulo Conceição, com propriedade em Herval, no Sul.

Uma das ferramentas que podem ajudar tem nome complicado. É o biocarrapaticidograma, análise que permite saber qual produto tem maior eficácia. Outra opção é a premunição – espécie de imunização, que ainda esbarra em dificuldades de industrialização e no pós-venda, afirma Kohek.

A gaúcha Kepler Weber Enviou para a colômbia o executivo Cristian Nunes da Cunha que, durante três anos, desempenhará a função de gestor de negócios internacionais em Bogotá. A ideia é fortalecer a marca naquele mercado.

Grupo decide pela ocupação

Em reunião realizada ontem, o grupo que se denomina Recuperação da Cotrijui definiu pela ocupação da cooperativa, que tem sua sede em Ijuí, no Noroeste. Isso só não ocorrerá, segundo Edson Solon Burmann, se os pagamentos atrasados de produtores forem efetuados. O prazo para a regularização é o próximo dia 15.

– Se os atrasados não forem pagos, nos reuniremos dia 16 para definir detalhes da ocupação, que será por tempo indeterminado – explica Burmann.

O grupo, como antecipou a coluna, faz também críticas à condução do processo de recuperação pela atual diretoria.

A Cotrijui está em liquidação voluntária desde setembro de 2014 – a dívida é estimada em cerca de R$ 1,8 bilhão.

gisele.loeblein@zerohora.com.br gauchazh.com/giseleloeblein 3218-4709

GISELE LOEBLEIN