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Cai prejuízo da Marfrig, que amplia seus abates

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Silvia Costanti / Valor

Martín Secco, CEO da Marfrig: companhia está reabrindo frigoríficos para ampliar seus abates de bovinos em quase 80%

A Marfrig Global Foods, segunda maior empresa de carne bovina do país, reportou um prejuízo líquido de R$ 156,9 milhões no segundo trimestre, queda de 21,8% na comparação com a perda de R$ 200,5 milhões vista do mesmo intervalo de 2016.

Com praticamente 80% das vendas em moeda estrangeira, a Marfrig foi afetada pela valorização do real em relação ao mesmo período do ano passado. Por conta disso, a receita líquida da companhia caiu 8%, para R$ 4,3 bilhões. A tradução cambial "anulou" o efeito positivo da subsidiária americana Keystone, cuja receita líquida cresceu 4% na mesma base de comparação, atingindo US$ 697 milhões.

Assim como aconteceu com as receitas, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da Marfrig foi afetado pelo câmbio. No segundo trimestre, o Ebitda ajustado da companhia foi de R$ 318,9 milhões, redução de 8% ante os R$ 424 milhões reportados em igual intervalo do último ano. A margem Ebitda ajustada ficou estável em 9,1%.

Em dólar, a Keystone reportou um Ebitda recorde no segundo trimestre, de US$ 69 milhões, informou a Marfrig. A margem da subsidiária, que tem operações na Ásia e é especializada no atendimento de redes de restaurantes, também ficou estável, em 9,8% no período.

Na divisão de carne bovina, o que inclui frigoríficos no Brasil e na Uruguai, a Marfrig foi atingida pela Operação Carne Fraca, o que prejudicou as vendas sobretudo em abril. Além disso, a apreciação do real na comparação anual também prejudicou o receita em reais das exportações.

No segundo trimestre, a receita líquida da divisão de carne bovina da Marfrig alcançou R$ 2,068 bilhões, queda de 10% na comparação anual. Em razão da Carne Fraca, o volume comercializado diminuiu 5%, para 249 mil toneladas.

Ao Valor, o presidente da Marfrig, Martín Secco, destacou a retomada dos abates ao longo do trimestre. Se em abril, mês mais crítico após a Carne Fraca, a empresa abateu apenas 130 mil bovinos no Brasil, em junho a companhia atingiu a plena capacidade de 170 mil cabeças mensais.

Os abates da Marfrig foram puxados pela reversão do ciclo da pecuária, que ampliou a oferta de gado. O executivo não comentou, mas a delação da JBS também teve impacto, já que a rival reduziu sua produção.

De todo modo, a Marfrig aposta que a oferta de gado estará mais favorável nos próximos meses. Tanto é assim que, ontem, a Secco confirmou que a empresa reabrirá mais três frigoríficos no Brasil – Ji-Paraná (RO), Paranaíba (MS) e Alegrete (RS), além das duas plantas que foram reabertas este ano. Com isso, a Marfrig poderá elevar abates em 76% 80%, para 300 mil bois/mês.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor