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Cafezais perdem qualidade com precipitações

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Úbion Terra: Nas fazendas da O’Coffee, chuvas interromperam a colheita

Se as geadas do fim de semana passado não tiveram grandes consequências para os cafezais do Paraná, as chuvas de maio e dos últimos dias, principalmente no Estado de São Paulo, trouxeram preocupação a produtores em pleno período de colheita do café da safra 2017/18.

"Aconteceram chuvas no período de colheita, o que não é comum", afirma Úbion Terra, diretor-executivo da O’Coffee, do grupo SolPanamby, que tem fazendas em Pedregulho (SP), na região da Alta Mogiana. De acordo com ele, no fim de maio foi necessário interromper a colheita de café durante uma semana em decorrência das chuvas.

Além de afetarem os trabalhos de colheita, as chuvas derrubam os grãos maduros dos cafeeiros e, com isso, cresce o volume do chamado café de varrição, que tem qualidade inferior. No chão, os grãos que caem se fermentam devido à umidade.

De acordo com diretor da O’Coffee, o normal nas fazendas do grupo seria um nível de 10% de café de varrição do total colhido. Mas diante das chuvas recentes, o patamar deve alcançar 15%. A empresa espera colher 28 mil sacas em suas seis fazendas, que ocupam áreas contíguas na Alta Mogiana.

Até o início desta semana, a colheita na O’Coffee havia atingido 45% do total estimado para ser colhido no ciclo 2017/18. O percentual é semelhante ao do mesmo período da safra 2016/17. A temporada passada, no entanto, foi de bienalidade positiva, e a O’Coffee teve uma produção foi de 35 mil sacas.

As chuvas no início de maio também prejudicaram a colheita na região da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé). Na quarta-feira, a cooperativa informou que a colheita por seus cooperados alcançou até o dia 9 de junho 11,4% da produção esperada. No mesmo período do ciclo 2016/17, a colheita estava mais adiantada e alcançara 12,55%.

Gil Barabach, analista da Safras&Mercado, observa que além de atrasar a colheita, as chuvas prejudicam a qualidade do café. Ele avalia que as chuvas recentes devem elevar a oferta, nas próximas semanas, de cafés arábicas com bebidas mais fracas, que são mais ácidos. Esses cafés têm geralmente preços mais baixos do que os de arábicas de maior qualidade.

Fonte: Valor | Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo