CAFÉ – OIC registrou em janeiro menor preço médio do café em dois anos

Conjuntura do mercado global de commodities e expectativa de aumento de oferta em importantes regiões pressionam cotações

No dia 20 de janeiro, indicador composto da OIC atingiu mínima de US$ 1,0674 por libra-peso (Foto: Mike Haller/CCommons)
A Organização Internacional do Café (OIC) registrou em janeiro deste ano as cotações mais baixas dos últimos dois anos em seu indicador, que pondera preços de arábica e robusta comercializados no mercado global. A média mensal do mês passado foi de US$ 1,1089 por libra-peso, o nível mais baixo desde janeiro de 2014 e 3,3% inferior à média de dezembro de 2015.

Na avaliação da OIC, os preços se mantiveram em patamares baixos mesmo com uma ligeira tentativa de recuperação ocorrida no final do mês. De modo geral, a instituição considera que o movimento acompanhou o de outros produtos básicos, influenciados pelo preço do petróleo no mercado internacional.

A mínima do indicador composto da OIC de janeiro foi de US$ 1,0674, registrada no dia 20. A máxima foi contabilizada no primeiro dia útil do ano, 4 de janeiro, de US$ 1,1630. Os dados estão em relatório de mercado divulgado nesta semana.

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A referência da OIC pondera cotações internacionais de três grupos de café arábica – separados por qualidade, origem e participação nos mercados europeu e norte-americano – e um grupo de café robusta, que representa 37% da ponderação. Entre os arábicas, os suaves colombianos representam 10% do cálculo, os naturais brasileiros 30% e os chamados outros suaves 23%.

O relatório aponta que a maior desvalorização em janeiro ocorreu no robusta. O valor médio, de US$ 0,7471 por libra-peso, foi o mais baixo desde a média de maio de 2010. “Esse declínio é atribuído a uma oferta maior do que se previra de café do Vietnã, onde há café da nova safra para entrada no mercado em breve, além de estoques remanescentes da safra do ano passado”, diz o relatório.

Nos arábicas suaves colombianos, a queda na média mensal foi de 3,3%, com a cotação atingindo US$ 1,3521 por libra-peso. No grupo chamado de outros suaves, a redução foi de 2,4%, para US$ 1,4503. Os naturais brasileiros encerraram janeiro com média de US$ 1,2121, 2% inferior a dezembro de 2015.

Além da própria situação do mercado internacional de commodities, a Organização Internacional do Café aponta expectativas de aumento da oferta como ponto de pressão sobre os preços. No relatório, destaca que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) já divulgou suas primeiras projeções sobre a próxima safra brasileira, que pode chegar a 51,9 milhões de sacas de 60 quilos.

“Caso se confirme, sugere volumes recordes como os de 2012/13 e 2013/14 após dois anos de menor produção. Isso também pode estar gerando pressões baixistas sobre os preços”, informa o documento. Maior produtor mundial de café, o Brasil responde por pelo menos metade do mercado global de arábica.

Exportações
Ainda de acordo com a OIC, as exportações – com base nos dados de dezembro de 2015 – aumentaram 1,3% em relação a dezembro de 2014, somando 9,3 milhões de sacas de 60 quilos. Nos primeiros três meses do ciclo 2015/2016, entre outubro e dezembro 2015, foram 26,9 milhões de sacas. O volume representou um crescimento de 2,6% na comparação com o mesmo período em 2014.

As vendas externas de café arábica foram estimadas pela OIC em 17,578 milhões de sacas, uma elevação de 11% quando se compara o primeiro trimestre da safra 2015/2016 com o mesmo período no ciclo 2014/2015. Na mesma comparação, as exportações de robusta caíram 10,1%, para 9,317 milhões de sacas.

POR RAPHAEL SALOMÃO

Fonte : Globo Rural