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Café do Centro projeta crescer 25% este ano

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Claudio Belli/Valor / Claudio Belli/Valor
Rodrigo (esq.) e Rafael Branco Peres, da Café do Centro: "evolução cultural e gastronômica" mantém consumo em alta

As incertezas que cercam a economia global e seus reflexos sobre o Brasil não assustam a Café do Centro. Uma das maiores fabricantes de cafés finos do país, focada no mercado doméstico, a empresa estima crescer 25% este ano e planeja diversificar o foco dos negócios com uma estratégia voltada especificamente ao meio corporativo.

Adquirida em 1995 pelos primos Rafael e Rodrigo Branco Peres, a Café do Centro faturou R$ 36 milhões em 2011, 20% mais que em 2010 e em linha com as taxas de crescimento dos anos anteriores. "A evolução cultural e gastronômica que acompanha o crescimento do Brasil tem feito o consumo de cafés especiais crescer bastante", observa Rafael Branco Peres.

E o potencial é grande. Segundo estimativas de mercado, esses produtos de qualidade superior ainda representam apenas 5% do consumo total do grão no Brasil. "Nem a gente consegue medir o tamanho desse mercado, mas se fala em crescimento de 20% a 25% ao ano", diz Rafael. A demanda continua puxada pelas compras fora do lar.

Como o nicho já está consolidado em São Paulo, Estado que representa 75% das vendas totais da Café do Centro, a companhia vê boas possibilidades de avanço em cidades como o Rio de Janeiro e na região Nordeste do país. Mas, mesmo no interior paulista, o potencial de expansão é considerável.

A companhia comercializou cerca de 3 mil toneladas de café em 2011, 50% de produtos classificados como "superiores" e "gourmet", ambos finos. O volume total deverá aumentar 20% em 2012, e a empresa acredita que o preço médio dos cafés que vende será 25% superior ao praticado no ano passado.

Há 17 anos, quando Rafael e Rodrigo compraram a companhia, os cafés especiais custavam, no máximo, o dobro que um produto tradicional no varejo. Atualmente, o valor médio negociado chega a ser quatro vezes maior, graças ao desenvolvimento do mercado e à entrada de boas marcas no segmento.

Ações específicas de marketing podem, frequentemente, elevar os valores praticados. No fim de 2011, por exemplo, a empresa comercializou uma edição limitada de um microlote selecionado em homenagem à família Branco Peres – que tem outras atividades no setor de agronegócio – e cada caixa de 750 gramas saiu por R$ 260.

Paralelamente, a Café do Centro continua a ampliar seu portfólio de clientes, que chegou a 3,6 mil no ano passado, um incremento também de 20% em relação a 2010. É aqui que entra a nova estratégia corporativa da companhia. O objetivo é impulsionar o consumo de cafés de qualidade nas empresas, inicialmente com foco em produtos tradicionais.

Para tal, já foi lançado um blend de grãos de melhor qualidade para ser comercializado com uma cafeteira própria. O custo desse "kit" é cerca de 10% maior para as companhias, mas os sócios da Café do Centro dizem que, além da qualidade, o rendimento também é melhor.

Fonte:  Valor |