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CAFÉ – Cooxupé espera comercializar 6,2 milhões de sacas de café neste ano

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Apesar do ciclo de baixa nas lavouras, volume deve ser maior que o do ano passado

café-verde-commodity-agricola-grao (Foto: CIAT/CCommons)

café-verde-commodity-agricola-grao (Foto: CIAT/CCommons)

<br>Em uma temprada de ciclo baixo da safra de café arábica no Brasil, a Cooperativa Regional dos Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé) espera comercializar 6,2 milhões de sacas de 60 quilos do produto neste ano. Foi o que afirmou o presidente da instituição, Carlos Alberto Paulino da Costa, nesta terça-feira (25/4).

O volume esperado de vendas é semelhante ao total que a cooperativa recebeu no ano passado, de 6,28 milhões de sacas de 60 quilos. Desse volume, 4,6 milhões eram dos associados. Em 2016, a Cooxupé comercializou 5,8 milhões de sacas – sendo 3,9 milhões para o mercado externo – o que acabou resultando em uma sobra de cerca de 400 mil sacas.
Para 2017, além do estoque de passagem, é esperado um recebimento de 3,8 milhões a 4 milhões de sacas só dos cooperados. Sendo assim, a cooperativa deve adquirir de terceiros um volume de 1,8 milhão e 2 milhões de sacas.  “Nossa intenção é exportar mais”, disse Paulino, destacando a expectativa de embarcar para o mercado externo 4,2 milhões de sacas.

carlos-alberto-paulino-da-costa-cooxupé-presidente-cooperativa-café (Foto: Marcelo Min/Ed. Globo)

Carlos Alberto Paulino da Costa, presidente da Cooxupé(Foto: Marcelo Min/Ed. Globo)

O presidente da Cooxupé disse ainda acreditar que a demanda por café arábica deve se manter firme neste ano, situação semelhante à ocorrida em 2016. De acordo com ele, a recuperação das lavouras de café conilon deve demorar mais para se recuperar, mantendo o espaço no mercado aberto para o arábica de diferentes qualidades.
Na área de influência da instituição, que abrange uma produção de cerca de 20 milhões de sacas de café , a colheita está em fase inicial e deve ganhar força em maio.  A expectativa é de uma quebra de 17% na produção.  “A quebra no sul de Minas é pequena, mas no Cerrado vai ser bem acentuada porque a safra foi muito boa no ano passado”, disse.
Paulino fez as afirmações em entrevista durante participação no Brazil & Sustainable Coffee Conference, em São Paulo (SP). O evento reuniu lideranças do setor, além de jornalistas brasileiros e do exterior, na sede da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp).
O presidente da Cooxupé criticou o reajuste dos preços mínimos do café, definidos pelo governo federal. Segundo ele, com as cotações praticadas atualmente, “o produtor não fecha a conta”. “O preço atual de, R$ 440 (a saca), não fecha a conta, porque ano é de baixa. Com o Funrural, armazenagem, frete, fica em R$ 400, que é próximo do custo de produção”, explicou.
Questionado sobre o passivo do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural), Paulino afirmou que a Cooxupé está em dia. Segundo ele, apesar das liminares contra a cobrança, a cooperativa manteve o recolhimento do tributo. 
Sobre o melhor modo de recolhimento, ele acredita que, para a cafeicultura, o melhor é receber com base na receita bruta. “Previdência não é gratuita. No café, que demanda muita mão de obra, recolher pelo produto é mais vantajoso”, afirmou.

POR RAPHAEL SALOMÃO, DE SÃO PAULO (SP)

Fonte : Globo Rural