Café arábica acumula baixa de 28% em NY em 12 meses

O mercado do café pegou carona ontem no movimento vendedor de commodities, reflexo dos receios dos investidores de que a fraqueza do mercado acionário da China possa afetar a demanda do país asiático por matérias-primas. Mas a desvalorização dos futuros do café arábica na bolsa de Nova York também foi ditada por dinâmicas próprias do mercado do grão.

Em uma sessão com alto volume de contratos negociados – cerca de 55 mil -, os papéis que vencem em dezembro registraram uma queda de 425 pontos (3,06%), fechando a US$ 1,348 a libra-peso. No ano, os contratos acumulam um recuo de 20,38%, e em 12 meses, de 27,59%.

Os futuros do café também perderam terreno por causa da alta do dólar verificada na maior parte do dia ante moedas de países importantes na produção do grão. O dólar chegou a subir mais de 1% em relação ao real e fechou com avanço de 0,53%. "A alta do dólar aumenta a renda dos países exportadores", permitindo negociar a valores menores em dólar, observou Haroldo Bonfá, diretor da consultoria Pharos Commodities Risk Management.

As turbulências externas não tiraram o cenário doméstico brasileiro das atenções. Os traders acreditam que a aproximação de uma frente fria na região Sudeste pode provocar chuvas e recompor a umidade do solo, após as precipitações ficarem abaixo da média em julho.

"[As chuvas] são necessárias para preparar o solo para a florada, que acontece entre setembro e outubro. Senão, isso pode comprometer a florada e a produção do próximo ano", afirmou Bonfá.

O analista acrescentou que as cotações encontram dificuldade de subir como em 2014 porque os grandes centros consumidores, como EUA e Europa, aumentaram o volume de café em seus estoques nos últimos meses.

Por Camila Souza Ramos | De São Paulo
Fonte : Valor