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Cachaça é opção de renda para pequenos produtores

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Na edição 2017 da feira, em Ribeirão Preto, Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios mostra potencial do produto para exportação e artesanal

Outro destaque é o estande com a pesquisa sobre batata-doce: livre de vírus, faturamento cresceu 22%

Outro destaque é o estande com a pesquisa sobre batata-doce: livre de vírus, faturamento cresceu 22%
Foto: Divulgação/Agrishow

Bauru – Atualmente, cerca de 1,3 bilhões de litros de cachaça são produzidos no Brasil, dos quais 45% no Estado de São Paulo, num setor que cresce em média 5% ao ano.

A estimativa é de que existam cerca de 40 mil produtores espalhados pelo país e, destes, 99% são de micro ou pequeno porte, de acordo com o Instituto Brasileiro de Cachaça (Ibrac). Em Jaú, a Agência Paulista de Tecnologia do Agronegócio (Apta), ligada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, realiza pesquisas sobre o processo de produção da bebida, com intenção de agregar renda aos pequenos produtores.

O trabalho dos pesquisadores será mostrado, esta semana, no estande da Secretaria de Agricultura, na Agrishow 2017, feira que começou na segunda-feira (1) e vai até sexta-feira (5), e Ribeirão Preto. Segundo os técnicos, o objetivo é demonstrar ao pequeno produtor, principalmente o de cana-de-açúcar, que é possível agregar valor na sua renda bruta com a produção de cachaça artesanal. "Uma tonelada de cana-de-açúcar entregue para usina equivale a, aproximadamente, R$ 60,00. Já, uma tonelada de cana transformada em cachaça equivale a, aproximadamente, R$ 400,00", explica a pesquisadora da Apta, Gabriela Aferri.

Dúvidas

Durante a apresentação dos trabalhos com cachaça artesanal o público terá acesso às ferramentas utilizadas no processo de fabricação da bebida, entre elas, o alambique e as dornas, facilitando o entendimento do processo pelos produtores. Os agricultores poderão, ainda, tirar dúvidas de como produzir a cachaça e quais são os materiais necessários. No estande, também será feita a exposição das cachaças produzidas na Unidade de Jaú. As atividades desenvolvidas na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento (UPD) envolvem ainda treinamento prático, sobre o processo básico de produção de cachaça artesanal.

Essa é uma das formas de transferir os conhecimentos aos produtores, demonstrando a importância da fabricação de cachaça de forma sistematizada, com estudos de vários fermentos, selecionados e naturais. De acordo com Gabriela, o treinamento tem sido procurado por produtores rurais que querem entender melhor essa oportunidade segura de aumentar a renda familiar.

Exportações

Segundo dados divulgados pelo Ibrac, as exportações de cachaça em 2016 cresceram 4,62% em valor e 7,87% em volume, totalizando US$ 13,93 milhões e 8,3 milhões de litros. Esse resultado positivo é um dos frutos do Projeto de Promoção às Exportações de Cachaça, "Cachaça: Taste the new, Taste Brasil", (www.tastebrasil.com), desenvolvido em parceria pelo Ibrac e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

Assinado em 2014, o projeto teve investimentos de mais de R$ 1,3 milhão e contou com a participação de mais de 50 empresas, entre micro, pequenas e grandes empresas. Esses recursos foram investidos em ações de promoção da cachaça brasileira nos Estados Unidos, Alemanha e México.

Bata doce

Outro destaque entre os expositores da edição 2017 da Agrishow é a produção de batata-doce que, com uso de tecnologia, cresceu 22%. A região de Presidente Prudente é a maior produtora de batata-doce do Estado, responsável por 25% da produção paulista, e vem registrando aumento na produção com a realização de projeto de pesquisa desenvolvido pela agência de pesquisa em Presidente Prudente.

A agência identificou problemas fitossanitários como um dos maiores entraves na produção. A pesquisa estará exposta no estande da Secretaria de Agricultura para que produtores de outras regiões possam conhecer melhor.

Estudo

Para ajudar a solucionar os problemas, pesquisadores da Agência começaram a multiplicar ramas de batata-doce a partir de matrizes livres de vírus, que resulta no aumento de produção e renda ao produtor e na oferta de produto ao consumidor. Para a pesquisadora da Apta, Sônia Maria Montes, dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta) refletem o ganho de produtividade obtido pelos produtores de batata-doce. Houve incremento de 22% na produtividade da batata-doce em Presidente Prudente, Araçatuba e Sorocaba nos últimos três anos.

"Temos observado em alguns produtores selecionados produtividade média de 15 a 17 toneladas por hectare", afirmou Sônia Maria. Para o secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, Arnaldo Jardim, trabalhos como esse mostram a importância da pesquisa científica para o agricultor e a necessidade de a pesquisa estar próxima dos produtores.

Anna Maria Ferreira

Fonte : DCI