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BRF voltou a registrar prejuízo no segundo trimestre

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Divulgação

Pelo terceiro trimestre consecutivo, a BRF ficou no vermelho. Donas das marcas Sadia e Perdigão, a empresa reportou ontem um prejuízo líquido de R$ 167,3 milhões no segundo trimestre. No mesmo período de 2016, a companhia havia lucrado R$ 31 milhões. A receita líquida da BRF somou R$ 8 bilhões, redução de 5,7% na comparação anual.

A BRF foi fortemente impactada período pela Operação Carne Fraca. Deflagrada em 17 de março pela Polícia Federal, a investigação provocou uma série de embargos às carnes brasileiras. A empresa calcula que a Carne Fraca trouxe perdas de R$ 117 milhões.

Diante disso, a companhia também amargou uma diminuição de quase 40% no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês). Entre abril e junho, a BRF registrou um Ebitda de R$ 575 milhões, ante R$ 944 milhões no mesmo período de 2016. Com isso, a margem Ebitda da empresa caiu 3,9 pontos na mesma comparação, ficando em 7,2%.

A queda do Ebitda, decorrente sobretudo da Carne Fraca, teve reflexos negativos nos índices de endividamento da BRF. No fim de junho, a relação entre a dívida líquida e o Ebitda em doze meses ficou em 4,90 vezes, ante 4,24 vezes em 31 de março.

Além da redução do Ebitda, a alavancagem também foi afetada pelo pagamento de R$ 556 pelas aquisições internacionais da Invicta e da turca Banvit. A dívida líquida de R$ 310 milhões da Banvit também aumentou o endividamento da BRF.

No relatório que acompanha o balanço, a companhia reconheceu que o atual índice de alavancagem está "bem acima" do nível considerado ideal – de 2 vezes a 2,5 vezes.

Nesse contexto, o conselho de administração da BRF autorizou a empresa a vender até 13,4 milhões das ações que possui em tesouraria para fazer caixa. Aos valores atuais – as ações da BRF fecharam ontem a R$ 39,00 -, poderá obter até R$ 525 milhões com a venda desses papéis.

Paralelamente, o conselho da BRF também autorizou a empresa a firmar contratos de swap com banco em valores equivalentes ao das ações em tesouraria. A partir desses swaps, a BRF receberá a variação do preço de suas ações e pagará ao banco um percentual do CDI mais um spread.

Na prática, a BRF quer evitar que a venda das próprias ações seja vista como um mau negócio, uma vez que a companhias adquiriu as próprias ações no mercado a preços mais elevados, o que chegou a gerar descontentamento em alguns conselheiros. Além disso, os swaps sinalizam que companhia aposta na alta das próprias ações, que caíram 44,5% desde o auge, em 2015.

No balanço do segundo trimestre, a BRF destacou a reversão da trajetória de perda de participação de mercado no Brasil. No período, houve ganho de 0,8 ponto percentual, com destaque para os embutidos, cuja fatia aumentou 3,5 pontos percentuais, o que pode ser visto como um avanço sobre a Seara, da JBS. No entanto, nem todas as categorias tiveram bom desempenho. Em pratos prontos, a BRF perdeu 2,7 pontos.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor