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BRF não paga PLR e reduz a remuneração de executivos

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Silvia Costanti/Valor

Em vídeo a trabalhadores, CEO da BRF, Pedro Faria, justificou não pagamento de PLR após resultado negativo em 2016

Em meio à repercussão negativa do não pagamento da participação nos lucros e resultados (PLR), o CEO global da BRF, Pedro Faria, optou por uma saída pouco usual. Em um vídeo que se alastrou pelo aplicativo WhatsApp, o executivo respondeu aos cerca de 110 mil trabalhadores da companhia que, segundo o próprio Faria, manifestaram indignação e frustração com a situação. "Quero que vocês saibam que eu assumo integralmente a responsabilidade por esse resultado", disse.

No ano passado, a BRF registrou o primeiro prejuízo anual da história – R$ 372 milhões -, o que provocou o não pagamento de PLR e também se refletiu na remuneração dos principais executivos. A BRF pagou ao que denomina "pessoal chave da administração" R$ 51,5 milhões em 2016, menos da metade da previsão de R$ 104,6 milhões aprovada pelos acionistas na assembleia geral ordinária do ano passado.

O valor efetivo da despesa mostra ainda que 2016 registrou a menor remuneração da gestão do empresário e investidor Abilio Diniz à frente do conselho de administração da BRF desde a assembleia de 2013, em conjunto com a Tarpon – o CEO Pedro Faria é um dos fundadores da gestora carioca. O montante só fica atrás de 2013, quando foram pagos R$ 54 milhões aos conselheiros e diretores da BRF. Mas a composição desse total não foi proposta pela administração de Abilio e Tarpon, mas pela gestão anterior.

Aos funcionários, o CEO da BRF argumentou no vídeo que o PLR "não é uma obrigação" da companhia ou um "compromisso a mais" com os funcionários. "Simplesmente, simboliza que estamos todos juntos nessa jornada, que quando somos capazes de produzir resultados diferentes, eles merecem e devem ser divididos com todos. É para isso que o PLR existe", afirmou Faria. Regulamentada pela lei 10.101, de 2000, a participação nos lucros e resultados não é obrigatória, mas definida por acordo ou convenção coletiva – e dependente das metas acordadas.

Na resposta aos trabalhadores, o CEO da BRF também disse que o resultado da empresa no último ano foi afetado por fatores que a empresa não controla, como a crise econômica no Brasil e a disparada dos preços do milho – insumo da ração animal.

Faria também defendeu os aportes feitos pela BRF no exterior. Desde 2013, a empresa investiu US$ 1,6 bilhão para se internacionalizar. "Tivemos a oportunidade de entrar em alguns mercados muito interessantes", disse, enfatizando os efeitos dos aportes no longo prazo. Ele negou, também, que os investimentos tenham levado ao não pagamento o PLR. "Isso não significa que o dinheiro da companhia, que não pode ser usado para pagar o PLR, foi destinado a grandes investimentos. Significa que estamos plantando para o futuro resultados muito diferenciados".

Ontem, a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins (CNTA Afins) criticou o não pagamento de PLR pela empresa. "Quem tem que pagar pelos erros da má gestão da empresa são os donos da BRF, que sempre tiveram altos lucros e resultados. E não os trabalhadores", criticou o presidente da entidade, Artur Bueno.

Procurada, a BRF reiterou a fala de Faria e informou "que sempre esteve e está disposta a dialogar com os sindicatos e entidades representativas na busca do que seja melhor para seus colaboradores, dentro das regras existentes e das possibilidades econômicas".

Por Luiz Henrique Mendes e Graziella Valenti | De São Paulo

Fonte : Valor