BrasilAgro vê oportunidades para aquisições

Luis Ushirobira / Valor
Piza, CEO da BrasilAgro: preços atuais são pouco encorajadores para a expansão da produção no país no médio prazo

A queda nos preços internacionais dos grãos, especialmente de soja e milho, pode abrir novas possibilidades de compra de terras pela BrasilAgro, disse ontem Julio Toledo Piza, CEO da companhia. "Essas flutuações são interessantes, pois criam oportunidades de aquisição", afirmou o executivo, durante teleconferência em que comentou os resultados do balanço da empresa, divulgado na sexta-feira.

Especializada no desenvolvimento de terras, a BrasilAgro registrou um prejuízo líquido de R$ 6,55 milhões no quarto trimestre do ano fiscal 2014, encerrado em 30 de junho, ante lucro líquido de R$ 19,23 milhões no mesmo período de 2013. No acumulado do ano fiscal 2014, que corresponde ao ano safra 2013/14, a empresa apresentou um prejuízo de R$ 13,36 milhões, ante lucro de R$ 28,72 milhões no mesmo intervalo do ano anterior.

As cotações da soja e do milho têm recuado diante da perspectiva de safra recorde nos EUA e do maior plantio no Brasil – a nova safra 2014/15 começa a ser semeada em poucos dias no país. "Mas os preços atuais são pouco encorajadores para a expansão da produção brasileira no médio prazo", afirmou Piza.

Por enquanto, acrescentou o CEO, a desvalorização dos grãos não parece estar se refletindo nos preços das terras no país. "Hoje, ainda não existe um grande impacto, mas é muito provável que aconteça, e em algumas regiões de forma mais intensa que em outras", previu. Para ele, esses ajustes podem ser precipitados se não houver mudanças no câmbio ou nas cotações das commodities nos próximos meses.

Em avaliação realizada pela Deloitte Touche Tohmatsu, o conjunto de oito fazendas da BrasilAgro foi avaliado em R$ 1,29 bilhão. A conta ainda não considera a venda de 1,16 mil hectares da fazenda Araucária, em Mineiros (GO), por R$ 41,3 milhões. "Foi um ano bom, mas não espetacular em termos de vendas. Gostaríamos de vender um pouco mais e certamente venderemos em breve", sinalizou Piza.

Na frente de produção, o executivo considerou os resultados do ano "mistos", com alguns "soluços operacionais". A seca que afetou áreas no oeste da Bahia entre janeiro e fevereiro prejudicou o desempenho da companhia, que concentra boa parte de sua operação na região. O Paraguai, por outro lado, surpreendeu ao apresentar margens "extremamente positivas".

A BrasilAgro já travou 4,3% da soja que espera colher na safra 2014/15, a um preço médio de US$ 12,82 por bushel. A expectativa é que os custos de produção de grãos fiquem "bastante alinhados" com o de 2013/14, conforme Piza. Na safra passada, a empresa plantou 80,1 mil hectares, mas já tem licenças ambientais para o plantio de mais 16 mil hectares na nova temporada.

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Fonte: Valor | Por Mariana Caetano | De São Paulo