BrasilAgro faz planos de aquisições

"Estão acontecendo negociações o tempo inteiro", disse Piza, CEO da empresa
A BrasilAgro, empresa com foco no desenvolvimento de terras agrícolas, pretende fazer novas aquisições de fazendas no curto prazo. "Eu ficaria um pouco surpreso se em três meses não houver uma nova aquisição. E muito surpreso se isso não acontecer dentro de seis meses", disse Julio Toledo Piza, CEO da companhia, em evento que reuniu investidores e analistas ontem. "Estão acontecendo negociações o tempo inteiro. Esperem aquisições interessantes", adiantou.

O executivo reiterou que a BrasilAgro está em um momento mais "seletivo" em termos de desenvolvimento de terras e de venda do portfólio. "Mas as compras começam a parecer interessantes, e nossa alocação de capital passa a mirar nessa direção", disse.

Os arrendamentos também entraram no radar, tanto que a empresa aumentou a área arrendada de cana-de-açúcar. A BrasilAgro encerrou há três dias a safra de cana, com a produção de um milhão de toneladas. "A cana vinha perdendo rentabilidade para soja e milho em Goiás, sul de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Hoje o jogo virou, e a cana entrega margens superiores".

Ao todo, a companhia já obteve R$ 500 milhões em vendas de fazendas e tem o portfólio avaliado em R$ 1,05 bilhão. Em junho, vendeu por R$ 270 milhões os 27.745 hectares da fazenda Cremaq, em Baixa Grande do Ribeiro (PI), pertencente à nova fronteira agrícola do país. Agora, a BrasilAgro está mais interessada em áreas consolidadas, a exemplo de Mato Grosso. "Hoje, áreas novas têm margens negativas ou próximo de negativas. Então, faz mais sentido, para o momento de mercado que vivemos, áreas consolidadas".

Com o caixa reforçado e a ausência de dívidas em dólar, a BrasilAgro sente-se confortável para aproveitar oportunidades de aquisições. "Toda a cadeia de valor passa por um momento crítico do ponto de vista do balanço [financeiro]. Podemos entrar e ajudar esses balanços estressados", afirmou o executivo. No ano fiscal de 2015, encerrado em 30 de junho, a BrasilAgro teve um lucro líquido de R$ 180,8 milhões.

A Bahia, onde a BrasilAgro tem parte importante de suas operações, tem "sofrido barbaridade" com o clima nos últimos anos, avaliou o CEO. Segundo ele, a produtividade da companhia na região tem variado de 12 a 53 sacas de soja por hectare. "Mas essas 50 e poucas sacas me levam a crer que toda a fazenda pode produzir isso. É o tempo de aguentar o tranco até lá".

O Piauí vem de bons anos, assim como Mato Grosso, avaliou Piza. Mas o executivo segue particularmente entusiasmado com o Paraguai – uma região "bárbara", classificou. "Estamos descobrindo como produzir no Chaco. O custo é infinitamente menor que no Brasil". Tomando como base a perspectiva de um rendimento "módico" de pouco mais de 30 sacas de soja por hectare, detalhou Piza, a previsão é de uma margem de US$ 150 por hectare em 2015/16. "Mas temos o desafio de seca, logística e mão de obra".

Por Mariana Caetano | De São Paulo

Fonte : Valor