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Brasil tenta convencer a Rússia a retirar bloqueio sobre comércio de carne

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Fonte: Jornal do Coméricio

O Ministério da Agricultura enviou uma carta às autoridades sanitárias da Rússia, ontem, afirmando que o País atendeu a todas as exigências fitossanitárias apontadas pelo governo russo e, assim, tentar evitar o embargo imposto a 89 frigoríficos brasileiros que estava previsto para se iniciar hoje. A suspensão foi anunciada há cerca de duas semanas, e envolve frigoríficos de Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul.
"Todas as observações de não conformidade com as normas da União Aduaneira foram totalmente atendidas e os procedimentos, adequados aos requisitos russos", afirma o ministério em nota. Segundo o documento oficial, a correspondência mostra o resultado das supervisões realizadas em todos os estabelecimentos exportadores de carnes auditados pela missão russa na primeira quinzena de abril. "O Ministério da Agricultura e o setor exportador estão confiantes em que as negociações serão bem sucedidas e que o embargo será suspenso", diz nota.
A Rússia, porém, anunciou que não vai dar mais prazo. A autoridade sanitária daquele país, o Rosselkhoznadzor, publicou uma nova carta acusando o Brasil de não ter realizado os procedimentos de produção de carne de acordo com as normas e exigências do importador, que é o maior cliente do Brasil nessa área. A autoridade mostrou que sente "grande lástima" pelo fato de, após ter ameaçado suspender a importação de carnes do País a partir de hoje, dos estados de Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul, o governo brasileiro ter "desencadeado na imprensa" uma "ampla campanha informativa, acusando a Rússia de protecionismo e falta de objetividade".
O documento de três páginas do Rosselkhoznadzor deixa clara a insatisfação dos russos com a forma com a qual o Brasil vem lidando com a situação. "É pouco promissora a tentativa de transferir problemas reais existentes do campo técnico para o campo informativo-político", disse a agência sanitária. Conforme o texto, a solução dos problemas de garantia de segurança de produtos alimentícios brasileiros importados pela Rússia só será possível pelo caminho da organização de negociações e consultas em nível técnico e de especialistas.
O Rosselkhoznadzor salientou que o Brasil não é um país inseguro em matéria de epizootias, mas referiu que há constantes focos de doenças perigosas no Brasil como a febre aftosa e surtos de outras doenças de animais que podem ser perigosas para o homem. "Segundo resultados de monitoramento de segurança de produtos inspecionados brasileiros exportados para a Rússia, várias vezes foi detectada contaminação microbiana em lotes inspecionados de produtos que chegam à Rússia", continua o documento, citando como exemplo salmonella, listeria, coliformes, microorganismos aeróbicos mesófilos e facultativos-anaeróbicos. Também teriam sido detectados vestígios de agentes farmacológicos.
O governo também também solicitou que a Rússia confirme uma reunião, que está prevista para ocorrer na próxima semana, entre as autoridades sanitárias daquele país e uma delegação do Ministério da Agricultura. O governo brasileiro pretende responder a todas as questões técnicas mencionadas na nota da Rússia sobre a suspensão. "Os russos se comprometeram com o adido agrícola brasileiro em Moscou a confirmar a data da reunião tão logo seja recebida e analisada a documentação", afirmou o ministério.