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Brasil sentiu o baque, mas embarque reage

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Maior do que a prevista pelas indústrias, a queda de quase 5% do consumo global de suco de laranja em 2012 pesou sobre o volume das exportações brasileiras da commodity, que foi o menor desde 1995. Graças sobretudo a uma valorização das cotações no primeiro semestre do ano passado, influenciada por ameaças à produção da Flórida, a receita dos embarques do Brasil sentiu um pouco menos o baque, mas também recuou.

O cenário melhorou no primeiro semestre deste ano, mas não foi capaz de animar as grandes empresas (Cutrale, Citrosuco/Citrovita e Louis Dreyfus Commodities) que exportam suco brasileiro, já que os estoques são elevados, ou de melhorar a remuneração dos produtores de laranja. Muitos deles continuam inclusive a fugir da atividade em São Paulo e no Triângulo Mineiro, onde a maior parte das frutas destinadas à fabricação de suco é cultivada.

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Sucos Cítricos (CitrusBR), as exportações brasileiras de suco de laranja somaram 1,097 milhão de toneladas e renderam US$ 2,276 bilhões em 2012 – quedas de 5% e 4,2% em relação a 2011, respectivamente. De janeiro a maio deste ano, com uma expressiva recuperação das vendas aos EUA depois que a crise provocada pela descoberta de traços do fungicida carbendazim em cargas de suco oriundas do Brasil gerou barreiras ao país em 2012, foram 523,7 mil toneladas (US$ 999,9 milhões).

Sob a pressão da queda do consumo global, na bolsa de Nova York os contratos futuros de segunda posição de entrega atingiram, em 2012, uma cotação média anual 20% inferior à de 2011. Com adversidades climáticas e fitossanitárias na Flórida, que abriga o segundo maior parque citrícola do planeta, menor apenas que o paulista, no segundo trimestre de 2012 a cotação média foi 5,9% superior à média do ano passado, mas houve queda nas últimas semanas. Trata-se de um patamar 35% mais baixo que o do pico histórico alcançado em dezembro de 2006, mas quase 120% superior às mínimas do primeiro semestre de 2004. Ou seja, não é um nível desprezível.

Para os produtores de laranja, talvez o maior problema não seja o preço do suco, mas seus estoques. No mercado spot, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada às indústrias está abaixo de R$ 6, menos que os custos de produção. E se o governo federal não renovar as medidas de incentivo que desde 2011 ajudaram a enxugar a oferta de suco – promovendo a formação de estoques – e a complementar os preços recebidos pelos citricultores, será quase impossível chegar aos cerca de R$ 10 de parte da temporada 2012/13.

"Sem medidas do governo para dar suporte aos preços, os produtores terão problemas mesmo com a produção menor [em 2013/14, que está em fase de colheita", diz Marco Antonio dos Santos, que preside o Sindicato Rural de Taquaritinga e a Câmara Setorial da Citricultura, que reúne governo, indústrias e produtores em Brasília periodicamente. Santos considera que em São Paulo e no Triângulo Mineiro o volume de produção de laranja deverá ficar próximo do previsto pela CitrusBR – 268 milhões de caixas, ante as 385 milhões estimadas em 2012/13.

Mas, como já informou a entidade das indústrias, os estoques de suco brasileiro armazenados no país e no exterior, que alcançaram 1,1 milhão de toneladas em 31 de dezembro – equivalente a um ano de vendas -, ainda são de cerca de 700 mil toneladas, volume suficiente para evitar uma correria das empresas exportadoras às compras. Santos lembra que, conforme as negociações de apoio aos preços dos últimos anos, os citricultores ganharão um prêmio sobre os resultados das exportações de suco. Esse prêmio deverá chegar a R$ 1 por caixa, mas o valor referente às vendas atuais só será pago a partir de janeiro de 2014. (FL)

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Fonte: Valor | Por De São Paulo