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Brasil pode estar a um passo do etanol celulósico

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Equilíbrio nos custos de produção é o último entrave para que o produto entre definitivamente no mercado nacional

por Viviane Taguchi

Divulgação/Unica

Indústria e pesquisa apostaram no desenvolvimento do etanol celulósico após "crise" do etanol

O etanol celulósico – ou etanol de segunda geração – pode, em menos de duas safras, chegar ao mercado nacional com força (e efeito). A afirmação é do diretor do Centro de Tecnologia Canavieira, Luiz Antonio Dias Paes. Segundo Paes, o Brasil já tem tecnologia de ponta para gerar o produto e, com a inserção do etanol celulósico no mercado, a oferta de etanol dobraria. Ele afirma, porém, que o setor ainda precisa encontrar um meio de baratear o custo de produção do produto para viabilizá-lo.

"Há tecnologia no país, estamos prontos para iniciar a produção, o que falta é reduzir o custo", diz ele, citando que hoje, o custo de produção do etanol celulósico ainda é 50% mais caro que o custo de produção do etanol de primeira geração. "Quando encontrarmos esta saída, a produção nacional de etanol dará um salto muito significante", diz.

O CTC tem uma estação experimental de produção de etanol de segunda geração, e tem parcerias com empresas como a Novozymes, por exemplo, empresa dinamarquesa que cria enzimas responsáveis por transformar a palha e obagaço em álcool. "O processo de produção do etanol celulósico é o mesmo. A única diferença é que, no processo de hidrólise as enzimas quebram a lignina, a celulose, e permitem que haja a fermentação, transformando o produto em etanol.”

Avançado

O mercado aguardava notícias do etanol celulósico só a partir da safra 2015/2016, mas o avanço das pesquisas acerca do produto anteciparam a sua chegada. "É possível que em duas safras já tenhamos o produto em escala comercial, pequena, mas real", explica Paes.

Pedro Luiz Fernandes, presidente da Novozymes para a América Latina, afirma que hoje já é possível fabricar o produto ao custo de R$ 1,25 por litro. O executivo explica que a crise do etanol, registrada nas últimas duas safras, foi um fator determinante para que a indústria química acelerasse suas pesquisas sobre enzimas para este fim. As da Novozymes, estão na terceira geração.

“A produção de etanol avançado aconteceria de qualquer forma, só não imaginávamos que fosse tão rápido. Não há como a indústria brasileira sucroenergética não seguir esta tendência”, diz ele. Fernandes diz que a empresa já tem, em laboratório, a quarta geração da família destas enzimas, o que indica que logo elas também sejam inseridas no mercado brasileiro com menor custo de produção para o etanol. “Nosso objetivo é equiparar todos os custos”, diz ele. Fabricar um litro de etanol de cana de primeira geração custa em média US$ 0,57 e de milho, US$ 0,50, algo em torno de R$ 1, 10 e R$ 1, respectivamente.

Interesse estatal

De acordo com o gerente de gestão tecnológica da Petrobras Biocombustível, João Norberto Noschang Neto, a estatal também está interessada no segmento, que poderia aumentar a oferta de etanol em 40%. “Sem plantar um pé de cana a mais”, lembra. Segundo o executivo, a estatal planeja investir US$ 300 milhões em novas tecnologias para etanol até 2015. “É uma investida sem volta, uma forma sustentável de produzir biocombustível a partir daquilo que já foi produzido uma vez”. A Petrobras Biocombustível também tem uma usina experimental.

Fonte: Globo Rural