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Brasil mira demanda coreana por café especial

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Leonardo Rodrigues/Valor
Vanusia Nogueira, executiva da BSCA: Rússia e China são os próximos alvos

O mercado de café, quem diria, está em ebulição na Coreia do Sul. Tradicional consumidor de chás, como seus vizinhos, o país asiático já se destaca pela crescente demanda por café solúvel, mas também começa a tomar gosto pelo produto torrado e moído, de preferência feito com grãos especiais.

Segundo João Staut, diretor da Qualicafex Specialty Coffee, empresa com sede em Espírito Santo do Pinhal (SP) que faz a ponte entre vendedores e compradores nesse segmento, esse avanço dos cafés de qualidade superior no mercado coreano tem gerado uma multiplicação do número de pequenas torrefações. Essas companhias já iniciaram inclusive compras diretas em países produtores, já que na Coreia não há oferta em virtude do clima frio.

A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) estima que o consumo total de cafés na Coreia do Sul alcance 2 milhões de sacas por ano. Desse total, 1 milhão de sacas são de café robusta, menos nobre e mais usado para a fabricação da bebida instantânea. O produto é importado do Vietnã e da Indonésia. O arábica representa as demais 1 milhão de sacas, e cerca de 200 mil sacas desse volume são de grãos especiais, de acordo com estimativa de Vanusia Nogueira, diretora-executiva da BSCA.

Das sacas de cafés especiais compradas do exterior pela Coreia, um terço (quase 70 mil) é importado do Brasil e o restante é dividido entre Etiópia, Quênia, países da América Central e Colômbia. Para Vanusia, há espaço para o Brasil ampliar suas vendas de cafés especiais ao país.

Considerando todos os tipos de café (verde e industrializado), o Brasil exportou para a Coreia do Sul 408,2 mil sacas em 2013, ou 1,3% dos embarques totais, conforme dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CeCafé). De janeiro a outubro deste ano, as vendas para o país totalizaram 414,234 mil sacas.

Apesar da proximidade geográfica com o Japão – principal comprador de cafés especiais brasileiros até o início deste ano, quando foi superado pelos EUA -, fazer negócios com os coreanos é bem diferente, sobretudo por causa da burocracia. Além disso, muitos dos empreendedores que estão abrindo cafeterias na Coreia não são do ramo, o que ajuda a tumultuar o processo de importação. Mesmo assim, nas ruas de Seul as cafeterias já são comuns, muitas delas de redes nacionais. "É o negócio do momento", diz Vanusia.

Apesar dos entraves, os coreanos, a exemplo de outros importadores de peso (EUA, Inglaterra, países nórdicos, Bélgica, Japão e Austrália), costumam pagar bem pelos cafés especiais brasileiros. O ágio em relação aos preços praticados na BM&FBovespa, por exemplo, superam 40%. "E há cinco anos não se pensava em Coreia do Sul", afirma Vanusia.

Explorar o segmento no país asiático foi uma sugestão da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), que mantém parceria com a BSCA em um projeto setorial para promover os cafés brasileiros no exterior. Esse projeto, que reúne cerca de 130 empresas de café, foi renovado em abril com recursos de quase R$ 6 milhões para um período de dois anos.

Os primeiros embarques de cafés especiais brasileiros à Coreia do Sul ocorreram após a primeira participação da BSCA/Apex no Café Show, em Seul, em 2010. A edição deste ano do evento, o maior de café da Ásia, ocorre nesta semana e vai até domingo. O Brasil participa com 12 companhias, que produzem cafés especiais verdes. No total, são 520 empresas expositoras, de 32 países.

Na estratégia de BSCA e Apex para promover os cafés especiais brasileiros, Rússia e China são os próximos alvos, afirma Vanusia. A Rússia já o maior país consumidor de café solúvel do mundo, enquanto a China ainda é um grande desafio.

Não há estatísticas precisas sobre a produção brasileira de cafés especiais. Estima-se que seja crescente e alcance 5 milhões de sacas nesta safra 2014/15, ante um volume total de 45,1 milhões de sacas, segundo o mais recente levantamento da Conab. As exportações de cafés especiais somam 4 milhões de sacas.

A jornalista viajou a convite da Apex

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Fonte: Valor | Por Carine Ferreira | De Seul