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Brasil manterá importação de trigo dos EUA

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Regis Filho/Valor / Regis Filho/Valor
Moinhos querem que o governo libere a importação de mais 600 mil toneladas de trigo com isenção de TEC, diz Christian Saigh

O excedente exportável de trigo dos países do Mercosul deve ser novamente inferior à necessidade de importação do Brasil na safra 2013/14. Segundo estimativa da consultoria Safras & Mercado, o bloco deve ter 6,85 milhões de toneladas do cereal disponíveis para exportação, enquanto o Brasil precisará de pelo menos 7,4 milhões de toneladas para seu abastecimento interno. Se esse volume se confirmar, será a maior importação brasileira de trigo desde o ciclo 2006/07.

Nos últimos dois ciclos, a produção brasileira foi frustrada por problemas climáticos. Neste ano, o potencial produtivo, de 5,8 milhões de toneladas, foi reduzido em pelo menos 1,6 milhão devido a perdas por geadas no Paraná. Mas o principal fornecedor brasileiro, a Argentina, também foi recentemente afetado por baixas temperaturas e pode ter um menor volume para exportar pelo segundo ano consecutivo.

Neste ano, o Brasil conseguiu efetivamente importar 2,5 milhões de toneladas da Argentina, 1 milhão de toneladas a menos do que no ano anterior. Por isso, o governo liberou a importação de fora do Mercosul sem o recolhimento da Tarifa Externa Comum (TEC), de 10%. A tendência é de que esse cenário se repita nos próximos 12 meses.

Devido à escassez do cereal no Brasil e na Argentina, o governo brasileiro liberou, desde abril deste ano, a importação de 2,7 milhões de toneladas de fora do Mercosul, sem a cobrança da TEC. "Neste momento, os moinhos estão solicitando autorização do governo para trazer mais 600 mil toneladas", diz o presidente do Sindicato da Indústria do Trigo de São Paulo, Christian Saigh, que estima que a necessidade de importação do Brasil nos próximos 12 meses será de 7 milhões de toneladas.

Nas estatísticas do comércio exterior do Brasil, o trigo de fora do Mercosul, sobretudo o americano, já é destaque. Entre janeiro e agosto deste ano, o país importou no total 4,6 milhões de toneladas do cereal, dos quais 30%, ou 1,4 milhão de toneladas, dos Estados Unidos, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC). No mesmo período do ano passado, a compra de cereal americano foi menor que 32 mil de toneladas.

O efeito das geadas nas lavouras argentinas ainda é desconhecido. Mas a Safras & Mercado reduziu em 1,5 milhão de toneladas, a 11,5 milhão de toneladas, sua estimativa para a produção do país vizinho. "Há agentes no mercado que especulam que haverá uma redução de até 3 milhões de toneladas", diz o especialista da consultoria, Élcio Bento. Novas geadas estão previstas para ocorrer na Argentina nos próximos dias.

Segundo Saigh, em setembro, o preço do trigo argentino para entrega em janeiro já subiu 10%. No mercado interno, afirma ele, a escassez também mantém as cotações muito elevadas no Paraná, onde a tonelada não chega no moinho em São Paulo por menos de R$ 1,12 mil (com frete e imposto estadual).

Com perdas climáticas também no Paraguai, a consultoria estima uma queda de, pelo menos, 3 milhões de toneladas na produção do Mercosul, que deve ser de 18,5 milhões de toneladas, ante a previsão inicial de 21,5 milhões de toneladas.

O trigo gaúcho também foi alvo do frio intenso em 18 e 19 de setembro. Mas as ocorrências foram avaliadas como de baixa intensidade, segundo o sócio da Pila Corretora, Valdiner Fagundes. "O fator-chave será o clima até 15 de outubro", diz.

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo