.........

Brasil já avalia potenciais reservas de ‘shale gas’

.........

Aline Massuca/Valor / Aline Massuca/Valor
Scotman, vice-presidente da Shell: "A segurança energética é um fator-chave"

As reservas de gás natural não convencional (shale gas, em inglês) são um negócio novo e atraente para a indústria mundial de petróleo. No Brasil, também existe potencial de desenvolvimento nessa área. Cálculo preliminar da Agência Nacional do Petróleo (ANP) indica que o volume recuperável de gás não-convencional em três bacias sedimentares terrestres – Parnaíba, Parecis e Recôncavo – poderia chegar a 200 trilhões de pés cúbicos (TCFs) se fossem repetidas as mesmas condições encontradas na área pioneira de Barnett, no Texas, Estados Unidos.

O cálculo é otimista e envolve um alto grau de incerteza, segundo a própria ANP. Se confirmado, o volume dessas três bacias seria equivalente a mais de dez vezes as reservas provadas da Bolívia, segundo estimativas de mercado. Mesmo assim, a conta dá uma ideia das possibilidades que envolvem o gás de xisto no Brasil.

O interesse da indústria nesse tipo de reservatório pode ser explicado pelo fato de que é um ativo com boa taxa de retorno. Os reservatórios não convencionais também interessam aos governos como forma de garantir o suprimento de hidrocarbonetos a longo prazo e a baixo custo.

"A segurança energética é um fator-chave [ao se analisar as vantagens do shale gas]", disse Gerald Schotman, vice-presidente de inovação da Shell. A Shell tem um portfólio global de investimentos de US$ 6 bilhões este ano em reservatórios não convencionais.

"Wall Street quer saber mais sobre gás não convencional", acrescenta Bob Fryklund, vice-presidente de pesquisa energética da empresa de análise e consultoria de energia IHS. Além dos EUA, que estão na frente neste segmento, há outros países apostando no desenvolvimento do shale gas, caso da China, onde a Shell fez joint venture para operar no setor, e da Argentina, onde há um grande reservatório de gás de xisto, o Vaca Muerta, na província de Neuquén.

No Brasil, algumas empresas encontraram gás não convencional em suas concessões, como é o caso da Petra, Petrobras e Orteng, todas na bacia do São Francisco. Não há informação ainda sobre os planos dessas concessionárias de começar a exploração das áreas que, no caso de recursos não convencionais, é feita através de fraturas na rocha com equipamentos instalados em grandes caminhões. A operação consiste em injetar fluidos e água para facilitar a extração.

A Shell vai perfurar o primeiro poço exploratório na bacia do São Francisco, em Minas Gerais, no próximo ano, disse o presidente da multinacional no Brasil, André Araújo. A petroleira possui cinco blocos de exploração na bacia, com forte potencial para descobertas de gás natural.

Existem ainda indícios de recursos não convencionais nas Bacias do Parnaíba, Parecis, Amazonas, Paraná, Recôncavo e São Francisco. A diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, disse que a agência vai recomendar ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) a oferta de áreas para exploração de óleo não convencional na Bacia do Recôncavo. "A Bahia tem reservatórios com espessuras muito grandes de óleo não convencional", disse Magda ao Valor. Ela afirmou que a agência só vai restringir, na sua recomendação, a perfuração de poços na Amazônia.

Segundo Olavo Colela Junior, assessor da diretoria da ANP, o cálculo que chegou ao volume recuperável de 200 TCFs baseou-se em uma analogia com Barnett, nos Estados Unidos. "Se as bacias forem análogas de Barnett, em termos perfeitos, poderia se ter esse volume recuperável ao longo de 20 ou 30 anos, mas o cálculo embute alta incerteza", disse Colela.

Ele afirmou que a Bacia do Recôncavo, na Bahia, está na mira de vários operadores. Colela disse que a agência vem se preparando para a demanda que deve ser criada com o desenvolvimento dos reservatórios de gás de xisto no Brasil. A agência vem analisando questões como contratos, períodos de concessão, questões ambientais e de conteúdo local para os reservatórios não convencionais.

Na visão de Colela, não será preciso mudar a Lei do Petróleo, de 1998, para regular o setor. A própria agência tem poder para regular esse novo segmento de atividade, afirmou.

© 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico.
Leia mais em:

http://www.valor.com.br/empresas/2833222/brasil-ja-avalia-potenciais-reservas-de-shale-gas#ixzz26pDypTVV

Fonte: Valor | Por Francisco Góes, Cláudia Schüffner e Rodrigo Polito | Do Rio