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Braço agrícola da suíça Glencore corteja Bunge

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A suíça Glencore, gigante com vendas globais superiores a US$ 150 bilhões e foco no setor de mineração, confirmou ontem que a Glencore Agriculture Limited, empresa que criou em dezembro de 2016 a partir do desmembramento de sua divisão de produtos agrícolas, promoveu uma "aproximação informal" com a americana Bunge em busca de uma combinação consensual de negócios.

Com receita líquida global de US$ 42,7 bilhões em 2016, a Bunge é uma das maiores companhias de agronegócios do mundo e, diferentemente da Glencore, tem no Brasil uma de suas principais bases de operação. A receita da subsidiária brasileira, uma das maiores exportadoras do país, alcançou R$ 35,3 bilhões no ano passado.

Em comunicado divulgado ontem, a Glencore afirma que, em meio a essa "aproximação informal", discussões concretas de combinação de negócios poderão ou não acontecer – e que, mesmo que aconteçam, não necessariamente resultarão em uma fusão. Procurada pelo Valor, a Bunge preferiu não comentar.

Vale lembrar, contudo, que o próprio CEO da multinacional, Soren Schroder, lembrou durante a divulgação dos resultados da empresa no primeiro trimestre, no início de maio, que parcerias entre grandes grupos que atuam no setor de agronegócios estavam ficando cada vez mais comuns.

Em virtude dos vultosos investimentos necessários, a área de logística no Brasil, sobretudo no chamado "Arco Norte", onde uma nova rota de escoamento de grãos – soja e milho, principalmente – tem se consolidado, é uma das frentes que têm se tornado pródigas nesse tipo de parceria. Associações em terminais portuários ou mesmo em projetos de ferrovias também têm amalgamado essas parcerias.

Em boa medida, como já lembrou Schroder e apontam outros analistas, a consolidação pode ser um caminho para empresas tradicionais na comercialização e no processamento de produtos agrícolas tentarem driblar as quedas de margens de lucro observadas nos últimos anos, em boa medida derivadas da mudança de patamar, para baixo, das cotações de commodities como soja, milho e trigo, que atingiram picos históricos na segunda metade da década passada.

Para a Glencore, a possibilidade de voltar a prospectar parcerias e mesmo aquisições se tornou possível depois de quase dois anos de reestruturações de dívidas. No fim do ano passado, por exemplo, essa nova realidade financeira viabilizou a entrada da companhia em um consórcio para adquirir 19,5% da russa Rosneft, maior empresa de capital aberto na produção de petróleo. (Com agências internacionais)

Fonte: Valor | Por Fernando Lopes e Renato Rostás | De São Paulo