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BOI – "Não encontramos nenhum produto que possa fazer mal à saúde humana", diz Maggi sobre itens recolhidos

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Ministro da Agricultura fez balanço de força-tarefa realizada em frigoríficos e supermercados na semana passada

maggi-coletiva-carne (Foto: Reprodução/Facebook)

Em coletiva de imprensa, ministro detalhou incoformidades e falou sobre futuro da crise no setor. (Foto: Reprodução/Facebook)

Em coletiva de imprensa realizada na tarde desta segunda-feira (27/3), em Brasília, o ministro da Agricultura e Pecuária, Blairo Maggi, disse que os laudos técnicos referentes às amostras de produtos recolhidas dos frigoríficos interditados e supermercados na semana passada não apresentaram nenhum problema grave de risco à saúde humana. As análises, porém, não foram concluídas. O recolhimento dos produtos foi preventivo, segundo Maggi, e realizado em unidades industriais de empresas investigadas, e também em pontos de venda varejista, durante uma força-tarefa do Ministério da Agricultura (Mapa).

Foram recolhidas 174 amostras de produtos das empresas investigadas, em todos os estados e 12 laudos foram emitidos até o momento pelos laboratório credenciados pelo Mapa. “Estamos trabalhando para dar à população a tranquilidade que é preciso sobre a qualidade dos produtos”, disse.

Inconformidades

A fiscalização extra do Mapa acabou com a interdição de três unidades, todas do Paraná. “Elas foram suspensas preventivamente, porque constatamos algum tipo de problema, de não conformidade com a legislação. Não encontramos nenhum produto que pudesse fazer mal à saúde. Recolhemos amostras e vamos ter todas as respostas em breve. Se tudo tiver de acordo, as empresas poderão voltar a vender”, disse Maggi.

Entre os problemas apontados pelos fiscais do Mapa estão a falta de data de validade dos produtos ou uso irregular de alguns subprodutos, como farinha de milho, ou adição de água na carne. Além disso, uma planta de laticínios foi interditada por embaraço na fiscalização, segundo Maggi. “Quando o fiscal do ministério chegou lá, fecharam a planta e ninguém ficou para responder o fiscal. Por isso foi suspensa. A empresa terá que refazer todos os seus processos pra voltar a trabalhar”, afirmou o ministro.

Encontro com superintendentes

Sobre a reunião com os superintendentes estaduais do mapa, Maggi disse que está reforçando que todos tem um compromisso e responsabilidade com o Brasil, embora praticamente todos eles tenham recorrido a “padrinhos” políticos para chegar ao cargo. “Nem os superintendentes de carreira assumiram o posto sem se articular politicamente. O que disse eles hoje é que não devem fazer favores políticos”, afirmou.

No caso das superintendências de Paraná e Goiás, alvos da operação Carne Fraca, o ministro ressaltou que serão designadas pessoas isentas para fazer uma varredura dentro do órgão e levantar todos os problemas.

Hong Kong

Maggi também disse que espera dar ainda nesta segunda-feira “informações suficientes” para reconquistar o mercado de Hong Kong. O ministro terá uma conferência com o país asiático para tratar do assunto.

Na negociação com os chineses, ele explicou que os compradores solicitaram um levantamento extra, para averiguar se algum fiscal investigado emitiu certificado de exportação de produtos para a China. “Abrimos o sistema e vimos que apenas um estabelecimento tinha fiscais que enviaram produto para lá. Qualquer produto que estiver nos portos e fazem parte dos interditados voltarão ao Brasil”, disse.

Exportações

Em relação ao cenário de exportações de carnes do Brasil, Maggi disse que acredita que o país terá problemas, “já que nossa imagem foi muito atacada e os comentários foram muito ruins”, afirmou. “Nossos concorrentes estão aproveitando esse momento para conquistar mercado. A minha sugestão é que, resolvida a parte política e técnica [desta crise], as associações o governo e produtores devem novamente sair e procurar seus parceiros comerciais para restabelecer os canais e retomar as vendas gradativamente.”

O ministro considera que a estratégia de recuperação do setor se dará em duas partes. “Primeiro, precisamos restabelecer as autorizações dos importadores, é a parte política e técnica. A segunda fase vai ser a ‘briga’ pra reconquistar a confiança dos consumidores de fora e internos,”

POR CASSIANO RIBEIRO

Fonte : Globo Rural