Boas práticas de Ater levam comunidade capixaba a mudar de vida

“Consegui financiar um caminhãozinho para levar meus produtos à feira, comprei um carrinho de passeio, reformei minha casa… Minha vida melhorou muito.” O relato, com final feliz, é do agricultor familiar capixaba Natanael Adami Justi, 47 anos. Mas se engana quem pensa que foi fácil conquistar tudo isso, pois Natanael demorou alguns anos até mudar de vida. Que bom que, no caminho, pode contar com a ajuda de um apaixonado pela Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), que transformou a vida dele e de toda a comunidade.

A história começou em 2007, um pouco antes do técnico de Ater do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) Fábio Lopes Dalbom chegar a uma pequena comunidade de agricultores familiares em Iconha, município ao sul do estado do Espírito Santo. Os produtores, até então, plantavam apenas café e banana pelo sistema convencional, fazendo uso de agrotóxicos, produtos químicos e sem agregar valor à produção – os poucos produtos eram vendidos com a intervenção de atravessadores, o que gerava quase nada ou nada de lucro.

“Eles tinham organizações, mas não tinham tanto poder de intervir na realidade, tinham uma estrutura frágil. E dentro dessa realidade, focamos em trabalhar o processo de fortalecimento das organizações dos produtores e agricultores familiares”, conta Fábio, que começou o trabalho em 2010. E deu certo. O trabalho intenso de transformação resultou na formalização de associações, como a Tapuio Ecológico, e na criação de uma cooperativa, a dos Agricultores Familiares Sul Litorânea do Estado do Espírito Santo (Cafsul), da qual Natanael é sócio-fundador.

A partir do trabalho de conscientização com os agricultores, a equipe técnica de Ater conseguiu melhorar a produção da comunidade. Hoje, quase 100% dos associados possuem certificação orgânica e produzem de forma agroecológica. “A assistência técnica tem um papel decisivo nesse processo. Mas, claro, a autonomia tem que ser do produtor. Mas ter buscado as políticas públicas e ter socializado com eles foi fundamental, até mesmo para apoiá-los nesse processo de entender melhor o sistema de produção sustentável”, explica Fábio.

Atualmente, os agricultores familiares vendem seus produtos, que agora são bem diversificados, para programas do Governo Federal, como o de Aquisição de Alimentos (PAA) e o de Alimentação Escolar (Pnae). Também por meio de ações do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), os produtores melhoraram a infraestrutura das associações e da cooperativa, com galpões, locais apropriados para a produção e câmaras frias. “Essa estrutura é muito importante para o escoamento da produção”, enfatiza o agente de Ater.

Agroecologia

Fábio acrescenta mais conquistas a essa lista. “Conseguimos que esses agricultores tivessem acesso a feiras agroecológicas e orgânicas do estado e eles começaram a vender para os PAA e Pnae com o valor agregado, já com 30% a mais, por serem produtos orgânicos. Agora, estamos trabalhando a certificação de mais 40 cooperados para que eles vendam produtos orgânicos e capacitando outros 40 para entrarem nesse processo”, orgulha-se.

Natanael conta que o começo não foi fácil, mas o resultado compensou todo o esforço. “Foi muito difícil quando começamos. Nós certificamos a propriedade, mas não tínhamos apoio e nem mercado para isso. Hoje, não. Somos praticamente 100% orgânicos. Temos parcerias, estrutura montada, as propriedades orgânicas todas têm plano de manejo, melhorou muito”, garante. 

Para Natanael, a mudança para o sistema agroecológico foi de extrema importância. “Pelo sistema convencional e com os atravessadores, a gente vendia uma caixa de banana na feira por R$ 10. Hoje, conseguimos em torno de R$ 60, R$ 70. Se não fosse essa transição e o apoio técnico, a gente não conseguiria trabalhar. Temos uma estrutura boa, agora a gente consegue manter a mercadoria, deixá-la com boa qualidade”, comemora.

Boas práticas

O trabalho desenvolvido pelo Incaper na comunidade de Iconha (ES) está entre os selecionados para serem apresentadas no Seminário Nacional de Boas Práticas de Ater. O evento vai reunir, de 1º a 03 de dezembro, em Brasília (DF), boas práticas de assistência técnica em todo o Brasil, em várias categorias.

As propostas selecionadas receberão certificados e farão parte do Caderno de Boas Práticas de Ater, com apoio do MDA para divulgação, compartilhamento e aplicação na assistência técnica.

O processo de compartilhamento das experiências selecionadas será conduzido pelo ministério por meio das ações do Plano de Inovação na Agricultura Familiar. As Boas Práticas selecionadas comporão materiais de divulgação, como arquivos eletrônicos, vídeos, além de outras mídias que serão compartilhadas via Web e outros meios de comunicação.

Jalila Arabi
Ascom/ MDA

Fonte : MDA