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Boas perspectivas para a exportação de algodão

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As cotações do algodão em pluma estão encerrando abril mais firmes nos mercados doméstico e externo, recuperando parte as perdas do início do ano. E a tendência é que os preços se fortaleçam na colheita da safra 2016/17, que vai ganhar força em julho. Segundo analistas, isso deve acontecer sobretudo por conta da queda produção na Índia e da redução dos estoques na China.

Como a oferta brasileira deverá aumentar e não há sinais de que a demanda doméstica vá melhorar, cresce a expectativa de incremento das exportações. De acordo com as últimas estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção do país deverá crescer 14,3% nesta temporada, para 1,5 milhão de toneladas de pluma. Mas a estatal ainda trabalha com queda de 21,6% dos embarques, para 630 mil toneladas.

Ocorre que, de acordo com projeções do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), só as exportações de algodão produzido no Estado, que lidera a colheita nacional, vão aumentar 10,1% em 2016/17, para 528,1 mil toneladas de pluma.

"Os preços devem se recuperar com a Índia plantando 20% a menos. A gente está visualizando um cenário positivo para a commodity", diz Gabriel Lima, analista do Bradesco BBI. Mas ele pondera que a valorização do real ante o dólar pode complicar a vida do produtor brasileiro, uma vez que, com isso, cai a receita com os embarques da pluma.

Se as perspectivas melhoraram, as negociações da safra 2015/16, que ainda está sendo comercializada, seguem lentas, embora as exportações tenham voltado a crescer em março, após quatro meses em queda. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), os embarques brasileiros alcançaram 32,2 mil toneladas no mês, 68,6% mais que em fevereiro, mas 58% abaixo de março do ano passado. A receita com as vendas chegou a US$ 54,4 milhões.

Apesar da recente recuperação, altas de preços mais expressivas durante a entressafra são descartadas por Christian Reich, sócio-diretor da Fibra Corretora. Segundo ele, antes de agosto, quando a oferta de 2016/17 começará a ganhar peso no mercado, o preço não deve variar muito. "A não ser que alguma coisa aconteça em Nova York, o algodão vá para cima de 80 centavos [de dólar] e o dólar supere R$ 3,25".

De qualquer forma, na bolsa de Nova York os contratos com vencimento em julho fecharam ontem a 79,36 a libra-peso, quase 25% mais que há um ano. "Os preços estão positivos, muito melhores que há um ano. O algodão está com expectativa de safra boa e preço bom", diz Aurélio Pavinato, presidente da SLC Agrícola, uma das principais empresas produtoras de grãos e fibras do país. De acordo com o executivo, a perspectiva é que a nova safra seja negociada na casa dos 73 centavos de dólar.

Diferentemente do que aconteceu no ciclo 2015/16, a perspectiva para a safra 2016/17 é de produção robusta e de boa qualidade. "A gente deve ter este ano uma das melhores produtividades de algodão. Para alguns produtores, talvez a melhor da história em qualidade", diz Gabriel Lima, do Bradesco BBI. Nas lavouras da SLC, a perspectiva é que a produtividade supere as 268 arrobas por hectare previstas no início da temporada.

As perspectivas animam a indústria que, para suprir sua necessidade da fibra na entressafra deste ano, demandou importação do produto com isenção da Tarifa Externa Comum (TEC) de 6%. A Câmara de Comércio Exterior (Camex) autorizou a importação de até 75 mil toneladas sem a tarifa.

Na avaliação do presidente da Abit, Fernando Pimentel, a previsão de uma colheita maior e com boa qualidade pode ajudar o segmento a não pedir novas cotas de importação. "O nosso pedido era para atender a uma necessidade emergencial. A ideia é que o algodão da cota não interfira na safra nova", diz.

A indústria pode usar as 75 mil toneladas autorizadas pela Camex até o dia 31 de junho. Até o momento, conforme Pimentel, foram importadas apenas 5 mil toneladas.

 

(Kauanna Navarro | De São Paulo)

Por Kauanna Navarro | De São Paulo

Fonte : Valor