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BNDES pretende ‘profissionalizar’ comando da JBS

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Segundo principal acionista da JBS, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) reforçou ontem a intenção de "profissionalizar" a gestão da companhia, o que pode implicar na saída de Wesley Batista do conselho de administração da JBS e do cargo de CEO da companhia.

Durante evento na capital paulista, o presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, ressaltou que a BNDESPar, braço de participações em empresas do banco que detém 21,3% das ações da JBS, pretende "exercer o direito de saber depois da notória delação o que a empresa tem feito para manter os negócios de pé" e avaliar "possíveis prejuízos [causados] pelos administradores".

Na semana passada, a BNDESPar enviou carta à JBS pedindo uma assembleia extraordinária de acionistas para avaliar os impactos negativos na JBS das delações dos irmãos Joesley e Wesley Batista. A J&F, holding dos Batista, possui 42,3% do capital da JBS por meio da FB Participações S.A.

Segundo Rabello de Castro, o ideal é que no longo prazo a companhia esteja "completamente profissionalizada" e que, se ela está passando dificuldades em função da situação de seus administradores, há "mais uma razão para que a composição seja revista".

Entre os executivos da J&F Investimentos que fecharam acordo de delação com o Ministério Público Federal (MPF), apenas Wesley Batista permanece na JBS. Então presidente do conselho de administração, Joesley Batista se afastou da função. Outro delator, Francisco de Assis e Silva renunciou na semana passada ao cargo de diretor de relações institucionais da JBS.

No evento, o presidente do BNDES também indicou que o banco estatal está articulado com outros acionistas em seu movimento. Segundo ele, um bloco "minoritário ativo", do qual o banco faz parte, possui aproximadamente 40% dos papéis da empresa, uma fatia próxima à detida pela J&F. Embora Rabello de Castro não tenha detalhado quais são os investidores privados que compõem o grupo de acionistas, o presidente do BNDES disse que a Caixa Econômica Federal, que têm 4,3% das ações da JBS, faz parte do grupo.

Em meio ao movimento dos minoritários ativos, Rabello de Castro também fez questão de elogiar Wesley Batista. De acordo com ele, o presidente da JBS "é provavelmente um dos gestores mais habilitados e bem sucedidos que temos dentro do Brasil". Rabello ainda negou qualquer objetivo de promover uma perseguição política com a convocação da assembleia e disse que o interesse é "manter o valor da companhia" e preservar os 250 mil empregos.

Por Estevão Taiar | De São Paulo

Fonte : Valor