BNDES possui crédito de R$ 1 bilhão para projetos de inovação no agronegócio

Mesmo com linhas de financiamento como esta, incentivo à inovação no Brasil não chega a 1% do PIB

Roberta Silveira | São Paulo (SP)

Pesquisas para o desenvolvimento de novos processos e tecnologias ainda recebem poucos incentivos no país, mas é preciso ficar atento para aproveitar as oportunidades de crédito. O agronegócio,  apontado como um dos setores produtivos que mais utiliza a inovação, tem até linhas de financiamento exclusivas no BNDES.

Essas são algumas das discussões que aconteceram nesta quinta, dia 18, no 1º Seminário Nacional de Incentivo à Inovação, Pesquisa e Desenvolvimento, em São Paulo. O objetivo do evento era esclarecer dúvidas sobre a Lei de Incentivo à Inovação e demonstrar que o investimento em pesquisa e desenvolvimento não é um processo burocrático e traz grandes benefícios para as empresas.

– Temos a Embrapa, que é uma excelente estrutura de inovação do país, que conseguiu grande parte da produção em terras onde não se tinha fertilidade. Esta é uma grande ação que veio a partir de investimentos que foram feitos em inovação. Para conseguir ter ganhos maiores de produtividade e para a competitividade do agronegócio é preciso cada vez mais investir em inovação – analisa Paulo Mol Júnior, diretor de inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI)

Para o agronegócio, o BNDES possui uma linha especial de crédito de R$ 1 bilhão recebendo projetos até do dia 15 de agosto, como explica a chefe do departamento de inovação do banco, Helena Veiga de Almeida.

– São três linhas temáticas. A primeira é relacionada a insumos para o agronegócio, incluindo melhoramento genético. A segunda é de processamento, como por exemplo, embalagens. E a terceira linha temática é para máquinas e equipamentos voltados ao agronegócio – explica Helena.

Biocombustíveis, como o etanol e o biodiesel, são destaques brasileiros em pesquisa e tecnologia. Mas para a produção de combustíveis com fontes renováveis avançar é preciso que a inovação também chegue à indústria que produz os motores automotivos.

– O que eu vejo de problema hoje no biocombustível é que os motores que nós estamos utilizando não estão adaptados ao biocombustível. São motores basicamente projetados para consumir petróleo e são muito pouco eficientes – afirma Ozires Silva, ex-ministro de Infraestrutura e presidente do Seminário.

O evento, que reuniu representantes dos setores público e privado, representa uma oportunidade para encontrar empresas e instituições dispostas a apostar em novos negócios.

– O que a gente vê muito são empreendedores que chegam com a ideia muito crua para falar com investidores, o que é um problema. Antes de conversar com o investidor, é preciso estudar bem o modelo de negócio e a oportunidade. Conseguir vender bem a sua tese é uma tarefa para o empreendedor – ensina Daniel Saad, diretor da empresa Inventta.

O Brasil ainda investe pouco em inovação. De acordo o Instituto Valor, somente 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro é destinado à pesquisa e tecnologia, enquanto nos Estados Unidos, 3% do PIB é usado para este setor. Uma das reivindicações de quem quer inovar é a diminuição da burocracia.

– O país é muito amarrado, muito cheio de regulamento, e nós precisamos de liberdade para nos desenvolvermos – diz Ozires Silva.

O 1º Seminário Nacional de Incentivo à Inovação, Pesquisa e Desenvolvimento foi realizado pelo Instituto Valor com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a agência de fomento à inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia.

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Fonte: Ruralbr