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Blairo vê fim de veto dos EUA à carne

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O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse ontem acreditar que o embargo dos Estados Unidos à carne bovina "in natura" brasileira poderá ser retirado num prazo de 30 a 60 dias. Ele esteve reunido em Washington com o secretário de Agricultura americano, Sonny Perdue, e afirmou que não existem objeções da natureza política à entrada do produto no país.

"Temos que aguardar as posições técnicas, as análises que eles estarão fazendo sobre as informações que estamos dando. Mas ficou o compromisso político de que o mais rápido possível, assim que as coisas estiverem esclarecidas, o retorno [da carne "in natura"] será possível", disse o ministro. "Não há qualquer objeção política por parte do secretário ou do governo americano de não manter o mercado aberto ao Brasil", ressaltou.

O ministro estimou em 30 a 60 dias o prazo para as autoridades americanas retirarem o embargo à carne brasileira. A restrição à importação foi determinada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em 22 de junho após a descoberta de abscessos na carne – uma inflamação decorrente de reação à vacina contra febre aftosa. Em muitos casos, os abscessos não são detectados no momento do corte da carne no Brasil, mas são identificados no porto de destino do produto.

Para evitar o problema, os frigoríficos brasileiros passaram a mandar peças menores de carne, o que evita o aparecimento de abscessos. "Como o Brasil mudou o procedimento, tenho certeza que podemos garantir que os achados que ocorreram na entrada no mercado americano não vão voltar a ocorrer mais", destacou Blairo.

Segundo Maggi, os americanos também manifestaram "grande preocupação" com pedaços de osso encontrados em partidas de carne bovina in natura do Brasil. "Isso acendeu um sinal de alerta aqui e é preocupante, porque nenhum país livre de febre aftosa com vacinação pode exportar peças com osso. Então esse é um ponto que temos que rever no Brasil."

Em sua página no Twitter, Perdue, do USDA, afirmou, comendo o encontro com Maggi, que "abrir diálogo é bom, mas nós precisamos ver progresso".

Maggi também comentou que assim que for divulgada a lista de fiscais sanitários que teriam recebido propina da JBS, eles serão substituídos por outros. Na semana passada, o Valor mostrou que em sua delação premiada o presidente da JBS, Wesley Batista, comprometeu-se a entregar a lista, que tem potencial de causar impactos nas exportações. "Estamos com luz amarela acesa tentando resolver os problemas que virão pela frente", disse o ministro. (Colaborou Cristiano Zaia)

 

Por Juliano Basile | De Washington

Fonte : Valor