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Biosev persiste na busca para reduzir sua alavancagem

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Luis Ushirobira / Valor
A moagem de 2014/15 deve fechar no piso do guidance, afirma Rui Chammas

Dona de um endividamento líquido próximo de R$ 5 bilhões e de um Ebitda de R$ 1,2 bilhão, a sucroalcooleira Biosev, controlada pela francesa Louis Dreyfus Commodities, tem meta de, no longo prazo, reduzir consideravelmente sua alavancagem. O indicador, representado pela relação entre a dívida líquida e o Ebitda alcançou 4 vezes ao fim do segundo trimestre da safra 2014/15, encerrado em 30 de setembro. O objetivo da companhia, que é a segunda maior processadora de cana-de-açúcar do país, é levar essa relação ao nível de 2,5 vezes, de acordo com o diretor de finanças e de relações com investidores da Biosev, Paulo Prignolato,

A investidores, durante reunião da Apimec, em São Paulo, Prignolato observou que o mais adequado é usar como parâmetro de comparação a alavancagem em fim de ciclo. No caso, a última referência da companhia foi em 31 de março deste ano, quando essa relação estava em 3,2 vezes.

Isso porque, no momento atual do ciclo, a empresa detém muitos estoques e demanda mais capital de giro, o que distorce bastante o indicador. A dívida líquida da empresa ajustada aos estoques estava em 30 de setembro em R$ 4,08 bilhões, 10,8% acima da observada no trimestre anterior, encerrado em 30 de junho.

Para alcançar um nível mais salutar de alavancagem, a companhia vem tentando reduzir investimentos e ampliar o uso da capacidade instalada. Mas os percalços climáticos novamente atrapalharam a companhia neste ciclo 2014/15.

Pelo menos até o segundo trimestre deste ciclo, a moagem de cana-de-açúcar havia recuado 3%, devido sobretudo à forte estiagem em São Paulo, onde está concentrada metade da capacidade de processamento do grupo. "Devemos encerrar a safra 2014/15 no piso do guidance de moagem, que é de 29 milhões de toneladas de cana", disse o CEO da Biosev, Rui Chammas.

A empresa segue com seu planejamento de alongar seus débitos de curto prazo e, para isso, garantiu Prignolato, não tem tido dificuldades com as instituições financeiras. "Os bancos estão abertos para nós. Não estamos tendo problemas. Algumas negociações estão em curso e, logo que for o momento, faremos os devidos anúncios", afirmou o diretor-financeiro.

No trimestre encerrado em 30 de setembro, a dívida de curto prazo da empresa foi a R$ 1,877 bilhão, o equivalente a 34,4% do endividamento total – ante 39,7% ao fim de junho. A redução no saldo da dívida de curto prazo foi de R$ 226 milhões no período.

O diretor de finanças descartou, ao menos no curto prazo, a emissão de dívida externa para alongar seus débitos. Segundo ele, esse mercado foi prejudicado nos últimos meses com "incidentes" do próprio setor sucroalcooleiro que acabaram, por ora, fechando a possibilidade de novas emissões de usinas.

Neste ano, a sucroalcooleira Aralco pediu recuperação judicial menos de um ano após emitir US$ 250 milhões em bonds e o grupo Virgolino de Oliveira (GVO) anunciou que começou negociações com credores sobre os termos e condições de títulos de dívida externa de US$ 735 milhões.

Questionado se fornecedores da companhia estavam tendo problemas para acessar crédito, Prignolato afirmou que, de forma geral, a companhia adianta recursos para seus fornecedores de cana, o que vem irrigando esses parceiros com recursos. "Essa prática eleva a necessidade de capital de giro da empresa, mas é o jogo", observou o executivo.

A companhia não tem previsão de como se comportará a moagem em 2015/16, mas acredita que os preços do etanol vão melhorar e puxar para cima também as cotações do açúcar. Na visão do diretor comercial e de originação de cana da Biosev, Enrico Biancheri, as discussões que devem culminar no aumento do percentual de mistura de anidro na gasolina para 27,5%, na retomada da cobrança da Cide na gasolina e de redução da alíquota de ICMS do etanol em Minas Gerais, devem ser positivas para o biocombustível.

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo