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BB oferece crédito de R$ 8,1 bi para a safra gaúcha

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MARCELO G. RIBEIRO/JC
Na apresentação do plano, superintendente-regional, Alucir Biasi, explicou que valor não é um teto

Na apresentação do plano, superintendente-regional, Alucir Biasi, explicou que valor não é um teto

As operações de custeio, comercialização e investimentos do próximo ano-safra (que oficialmente começou no primeiro dia de julho) devem receber, no Rio Grande do Sul, via Banco do Brasil, R$ 8,1 bilhões em financiamentos. O montante é 15% superior ao destinado ao Estado no período anterior, quando a instituição superou em R$ 510 milhões a meta inicial de aplicar R$ 7 bilhões nas lavouras gaúchas.
Nacionalmente, o Banco do Brasil irá repassar R$ 55 bilhões, um volume 14% superior ao valor registrado na safra passada. Desse total, R$ 10,5 bilhões vão para a agricultura familiar e R$ 44,5 bilhões para os agricultores empresariais e as cooperativas rurais. A maior parte dos desembolsos (74%) está prevista para acontecer no financiamento ao custeio e à comercialização. Em uma semana que o banco já opera o novo Plano Safra, já foram liberados R$ 600 milhões em todo o Brasil. Os focos, nesse ano, estão na agricultura familiar, no Pronamp (para médios produtores), no Programa Agricultura de Baixo Carbono, no Seguro Agrícola e no financiamento às cooperativas e na capacitação.
Do total previsto para o Rio Grande do Sul, o BB prevê a aplicação de R$ 5,9 bilhões na agricultura empresarial e R$ 2,2 bilhões na agricultura familiar. “É importante observar, como mostram os números do ano passado, que a meta que estabelecemos no lançamento do Plano Safra não é um teto. É apenas um balizador e não faltam recursos para os produtores rurais”, afirmou o superintendente Regional de Governo do Banco do Brasil, Alucir Biasi.
A instituição, que responde por 64% do mercado de crédito agrícola brasileiro, atribui o avanço de produtividade registrado nas últimas décadas à disponibilidade de recursos para financiamento e ao avanço tecnológico conquistado pela Embrapa. Em 20 anos, segundo Biasi, o País aumentou sua produção em 180%, enquanto a área expandiu em apenas 30% – mantendo uma taxa de preservação dos biomas de 60%. Entre os recursos repassados, 78% estão relacionados ao plantio direto.
Segundo o executivo, estão computados no Plano Safra 2012/2013 os recursos liberados ainda no primeiro semestre para aquisição antecipada de insumos. Foram contratados, nesse ano, R$ 3,6 bilhões em antecipação. O volume é 31% maior que o registrado na antecipação do ano anterior e refletiu numa economia média de 10% para o produtor, já que os pesticidas e outros insumos ficam mais caros com a proximidade do plantio da lavoura.
Biasi destacou que, neste ano, praticamente todas as linhas de crédito incluídas no pacote tiveram redução de juros. Para o custeio via Pronaf, a taxa anual passou de 4,5% para 4%, enquanto os recursos para os agricultores empresariais são repassados agora a 5,5%, quando no ano anterior o custo era de 6,75% ao ano. Para as linhas de investimento a redução mais expressiva foi no Moderfrota, onde a taxa caiu de 9,5% ao ano para 5,5% ao ano. Da mesma forma, alguns limites de financiamento e de enquadramento também foram ampliados. O teto de custeio empresarial passou de R$ 650 mil para R$ 800 mil, e o enquadramento do Pronaf RBA subiu de R$ 110 mil para R$ 160 mil, por exemplo.
Para o presidente da Fetag RS, Elton Weber, as mudanças são positivas e vão auxiliar a mitigar os prejuízos causados pela estiagem no Estado – sobretudo pelos limites específicos para o cultivo de milho e para a retenção de matrizes na suinocultura. “Mantemos nossas negociações para que os agricultores que estão endividados consigam renegociar suas dívidas e ter acesso aos recursos para produzir nesse ano”, afirmou.

Instituição vai operar Minha Casa, Minha Vida Rural

A entrada do Banco do Brasil como agente financeiro do Programa Nacional de Habitação Rural (Minha Casa, Minha Vida Rural), anunciada ontem, animou o presidente da Cooperativa Habitacional da Agricultura Familiar (Coohaf), Juarez Cândido. Ele espera que a proximidade da instituição às questões do campo ajude a dar agilidade no atendimento. Segundo Cândido, a demanda reprimida no Rio Grande do Sul é enorme e a cooperativa teria estrutura para encaminhar até 5 mil projetos ao ano, mas por limitações de análise da Caixa Econômica Federal, encaminha apenas mil. “Esperamos, agora, pelo menos dobrar o número de encaminhamentos.”
A meta da instituição, segundo o superintendente Regional de Governo do Banco do Brasil, Alucir Biasi, é de aplicar no Estado de 15% a 20% da meta nacional – que é financiar a construção de 100 mil unidades habitacionais até 2014. Os agricultores serão enquadrados em três grupos, de acordo com a renda anual.

Fonte: Jornal do Comércio | Clarisse de Freitas