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Basf confia em pesquisa para manter mercado

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Silvia Zamboni/Valor

Harald Rang, da Basf: críticas ao sistema de regulação de defensivos no Brasil

Num mercado em plena consolidação, com as grandes negociações globais da área de defensivos sendo aprovadas, a alemã Basf mantém a aposta em pesquisa e desenvolvimento para não perder participação de mercado. No ano passado, a companhia ficou com 12% das vendas globais de defensivos, em terceiro lugar no ranking do setor.

"Não estamos sacrificando a nossa inovação. Mesmo quando o mercado não está tão forte", afirmou Harald Rang, vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento de proteção de cultivos da companhia.

Em 2016, os investimentos da alemã em pesquisa e inovação somaram € 489 milhões, o equivalente a cerca de 9% de suas receitas globais com o segmento. Segundo Rang, a média de crescimento anual de investimentos nos últimos dez anos ficou em torno de 3%. "E acredito que deve ser assim este ano", disse.

Conforme o executivo, os investimentos devem ficar em torno de 9% das vendas no ano. No primeiro semestre de 2017, as vendas do segmento agrícola da Basf somaram € 3,4 bilhões, alta de 4% na comparação com o mesmo intervalo do ano passado.

De acordo com a consultoria Phillips McDougall, a Basf é a empresa do setor que mais investiu entre 2006 e 2015 em pesquisa em relação à receita no período. A companhia investiu US$ 7,3 bilhões, cerca de 13% da receita obtida, enquanto a Monsanto investiu US$ 12,7 bilhões, em torno de 10,5% do faturamento obtido entre os anos de 2006 e 2015.

No Brasil, a Basf tem trabalhado em novos produtos na área de inseticidas e fungicidas, segundo Rang. No ano passado, a receita na América do Sul caiu € 57 milhões, para € 1,261 bilhão, devido ao menor volume de inseticidas vendido no país, conforme balanço divulgado pela companhia. Além dos estoques elevados no canal de distribuição, houve queda de consumo na região, decorrente, sobretudo, da baixa necessidade de produtos na safra 2015/16. Globalmente, a receita da Basf somou € 5,569 milhões, retração de 4%.

A empresa alemã também deve trazer para o Brasil o dicamba, princípio ativo de um herbicida criado pela Monsanto, comercializado também por outras empresas de defensivos. O produto é usado como opção ao glifosato, o mais utilizado do mundo. Hoje, o dicamba está proibido em alguns Estados americanos, sob a alegação de que mata ervas daninhas, mas também prejudica a soja convencional.

"Acreditamos que os problemas reportados estão vindo de um uso incorreto", disse o executivo. De qualquer maneira, ainda deve levar alguns anos para as vendas do dicamba serem autorizadas no Brasil. Rang afirma que a morosidade regulatória no país ainda é o principal problema enfrentado pela indústria. "Leva mais tempo que em qualquer país-chave no mundo", disse.

Sem dar detalhes, Harald Rang disse que os novos investimentos da empresa devem ser direcionados a áreas com menor participação de mercado: sementes e soluções digitais.

Por Kauanna Navarro | De São Paulo

Fonte : Valor