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Barreiras à mecanização ‘preservam’ trabalhador

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A colheita de laranja ainda consegue responder por boa parte dos empregos criados nesta época do ano nos municípios do cinturão citrícola que se espalha pelo centro-norte de São Paulo e pela região do Triângulo Mineiro em boa medida graças à dificuldades que os produtores enfrentam para mecanizar a atividade.

Marco Antonio dos Santos, presidente do Sindicato Rural de Taquaritinga, afirma, no entanto, que os esforços nesse sentido continuam, e que se multiplicam os testes sobretudo nos pomares próprios das grandes indústrias exportadores de suco de laranja (Citrosuco, Cutrale e Louis Dreyfus), que têm mais capital para investir.

O grande obstáculo, explica Santos, é que em uma mesma árvore de laranja, graças às diferentes épocas de florada, há frutas em estágios de maturação distintos. Uma máquinas "derrubadora de frutas", por exemplo, pode gerar prejuízo, já que não distingue as laranjas que estão no ponto certo das pequenas e verdes.

Dilce Lopes Maciel, presidente do Sindicato dos Empregados Rurais do mesmo município, lembra que, nos canaviais, a história foi diferente. Era outra atividade intensiva em mão-de-obra na região, mas com o avanço da mecanização nos últimos anos deixou de ser importante nessa frente.

Segundo Santos, os condomínios de colhedores de laranja deixaram um rastro de problemas judiciais e, hoje, os trabalhadores são contratados diretamente pelos produtores. No sindicato presidido por Dilce, 400 colhedores receberam assistência e/ou atendimento médico este ano.

Por Fernando Lopes | De Taquaritinga

Fonte : Valor