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Bancos esperam fechar entre 50% e 80% dos pedidos na Expointer

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Cifra de R$ 3,2 bilhões em negócios com máquinas foi vista por entidades como euforia demasiada

Os bancos que registraram maior demanda por financiamentos na Expointer 2013 projetam que de 50% a 80% dos pedidos de compra de máquinas agrícolas deverão resultar em contratos de crédito e efetivação de compra de produtos. A estimativa foi apontada por Banco do Brasil (BB), Banrisul e Sicredi, que registraram quase R$ 1,7 bilhão em solicitações de crédito para aquisição. Instituições como o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), com o segundo maior volume de recursos solicitados, aguardará a tramitação dos protocolos de R$ 706,5 milhões para identificar o que é venda certa. A feira, que se encerrou no domingo, somou total de R$ 3,29 bilhões em negócios (61,7% acima do saldo de 2012), sendo R$ 3,27 bilhões em máquinas (R$ 2,02 bilhões no ano passado).
O superintendente estadual do BB, Tarcísio Hübner, lembrou que o montante de R$ 1,03 bilhão (o dobro dos R$ 515 milhões de 2012) será agora submetido a análise, apresentação de documentos e demais exigências. “Apostamos em 50% de efetivação em feiras. O cliente pode ter feito pedido em mais de um banco e pode mudar a intenção”, explicou Hübner. O superintendente admitiu, porém, que a demanda ficou acima do esperado e que as taxas mais baixas e a avaliação antecipada de limite de crédito agilizaram a demanda. Hübner afastou riscos na aprovação de limites e citou prazos longos para pagar como incentivo à aquisição.
Banrisul e Sicredi avaliaram entre 70% e 80% a efetivação de pedidos. Orlando Müller, presidente da Central Sicredi Sul, registrou R$ 412 milhões em 2,9 mil protocolos, sendo R$ 346 milhões em linhas do Bndes. Müller lembrou que o banco adota orientação de consultores para que produtores tomem decisão sem euforia. “Muitos se empolgam e desistem depois”, descreveu o executivo do Sicredi, ponderando que taxas exclusivas na feira motivam as aquisições. Carlos Barbieri, superintendente de Agronegócios do Banrisul, acredita que os contratos alcancem 80% da carteira, mas considera que só o acompanhamento dos pedidos dará a medida exata. Com R$ 243 milhões em pedidos, o banco estadual aposta que há condições de contratação pelos produtores e apontou que 41% da demanda foi de máquinas para irrigação.
O diretor administrativo do BRDE, José Hermetto Hoffmann, apontou que parte da captação de pedidos cobre o que faria o Badesul, que neste ano enfrentou limite de capital para liberar mais recursos. O BRDE assinou pedidos de recursos para agroindústrias para serem oficializados na Expointer. “Na feira, há isenção de taxa”, justificou o diretor. A vantagem se estende por 30 dias a quem entrou com pedido em Esteio. “A crítica aos valores de vendas é a política do caranguejo. Os números foram excepcionais, mesmo com alagamento”, defendeu Hoffmann. 

Simers afirma que números refletem a intenção de compra

O Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Estado (Simers) esclareceu que os números refletem a intenção de compra do produtor. “É pedido, é intenção de compra”, qualificou o presidente Cláudio Bier, que não dimensionou o percentual da demanda que é realmente contratada. O dirigente apontou que a tendência é de elevar o grau de efetivação neste ano devido à conjugação de variáveis, como renda dos produtores, juros mais baixos e oferta de tecnologias. Bier lembrou que a contabilização de pedidos é tradicional em todas as mostras. “Por que ninguém questiona se os valores da Agrishow, maior do setor e que ocorre em Ribeirão Preto (SP), e da Expodireto, em Não-Me-Toque (RS), estão corretos? Até eu fiquei surpreso com o valor. Se não tivesse tido chuva, teríamos alcançado R$ 4 bilhões”, reage Bier.   
A cifra do Simers alimentou divergências com entidades de produtores empresariais e da agricultura familiar. Dirigentes da Fetag-RS e Farsul colocaram em dúvida o volume de negócios anunciado. O mau tempo, que gerou enchente na área de máquinas e teria comprometido expectativa de vendas de muitos expositores, foi um dos argumentos para questionar os números. A Farsul cobrou transparência nos dados e advertiu que “não se podem confundir pedidos com vendas”.
O vice-presidente da Fetag-RS, Carlos Joel da Silva, preveniu que não duvidava dos números, mas advertiu que o volume de negócios não é tão elevado. “São propostas que podem ou não passar”, ponderou Silva. O temor do vice-presidente da Fetag-RS é que “uma euforia demasiada” gere custos maiores aos produtores. “Estamos recuperando o que se perdeu em anos de crise e estiagem”, justificou Silva. O presidente do Simers comparou que a venda de animais somou R$ 16 milhões, mas que a pecuária, sem o volume de vendas da raça de cavalo Crioulo, cairia a menos de R$ 4 milhões. Bier disse que as críticas são “absurdas” e que “em vez de empurrar para a frente, puxam para trás”, referindo-se às entidades de produtores.

Fonte : Jornal do Comercio | Patrícia Comunello