Baixa umidade impede o avanço no plantio do trigo

Área cultivada no Rio Grande do Sul alcança 3% do total projetado

DEISE FROELICH EMATER/DIVULGAÇÃO/JC

Alguns produtores devem reduzir em até 40% as lavouras do cereal

Alguns produtores devem reduzir em até 40% as lavouras do cereal

As condições climáticas registradas neste início de safra de trigo não favoreceram o plantio das lavouras. Conforme o informativo conjuntural divulgado pela Emater nesta quinta-feira, o preparo das áreas, através da dessecação, está em ritmo mais lento do que o esperado, devido à baixa umidade registrada nos últimos dias. No momento, os triticultores dedicam-se à elaboração de projetos de custeio, à aquisição de insumos e à preparação das máquinas e equipamentos, organizando-se para o início do plantio, que atinge 3% do total projetado, contra uma média de 8% para o período.
A redução da área a ser cultivada com trigo nesta safra difere entre municípios. Levantamentos apontam desde a manutenção de áreas até redução significativa, estimada em mais de 40% em relação à safra anterior. Depoimentos de produtores indicam também para áreas a serem cultivadas com baixa tecnologia, em substituição a outras culturas de cobertura que também apresentam custo elevado de implantação.
Em termos de preços, a semana não apresentou novidades para o produtor que ainda detém estoque do produto. A saca de 60 quilos foi comercializada a um preço médio estadual de R$ ?29,98, registrando uma variação de +1,25% em relação ao preço da semana passada.
A diminuição da área cultivada também é percebida em outra cultura de inverno, a cevada. O Estado deverá plantar 15% a menos em relação ao ano anterior, quando foram plantados 37,7 mil hectares. Mesmo assim, os agricultores estão investindo na cultura através de boa fertilização, manejo dos insumos e práticas adequadas, incentivados pelo mercado garantido e pelo preço equivalente ao da soja. O preço é de R$ 58,50 a saca de 60 quilos.
Na medida em que se aproximam os meses de inverno, aumenta gradativamente o volume de frutas cítricas colhidas e ofertadas no mercado. Na região do Vale do Caí, a bergamota cCaí, do grupo das comuns, já tem 25% das frutas colhidas, com preço médio de R$ 18,00 a caixa de 25 quilos; a bergamota pPonkan, cuja colheita recém foi iniciada, está com 8% das frutas colhidas, e os citricultores estão recebendo em média R$ 16,00 por caixa. Conforme o previsto, à medida que aumenta o volume de frutas colhidas, ocorre a redução do preço recebido pelos citricultores. Entretanto, neste ano, tal redução não é tão intensa como em anos anteriores. Isso ocorre, porque a bergamota cCaí está com excelente qualidade, graças ao raleio bem feito, que proporcionou bom desenvolvimento das frutas.
No restante do Brasil, a colheita de frutas cítricas inicia-se antes do que no Rio Grande do Sul, dificultando a exportação de nossas frutas para outros estados. Mesmo com esta dificuldade, os citricultores da região do Vale do Caí, organizados na Associação Montenegrina de Fruticultores e em empresas de classificação e embalagem de frutas, conhecidas como packing-house, têm conseguido exportar para outros estados a bergamota Caí.

Cortes devem reduzir orçamento da Agricultura em R$ 3,276 bilhões

O Ministério da Agricultura deve perder cerca de R$ 3,276 bilhões de seu orçamento, o equivalente a 28% do total, com o anúncio do contingenciamento previsto para esta sexta-feira, pelo governo. Segundo uma fonte, a expectativa é de que esse seja o porcentual a ser anunciado. No entanto, o valor pode ser mudado. O contingenciamento total do governo, de acordo com essa mesma fonte, será superior a R$ 70 bilhões, podendo chegar a R$ 80 bilhões.
A equipe técnica do Ministério da Agricultura, explicou a fonte, está se preparando para esse corte, classificado internamente como "razoável". Do orçamento atual, de R$ 11,7 bilhões, 40,5% são para administração geral (R$ 4,7 bilhões); 18,9% para abastecimento (R$ 2,2 bilhões); 13,3% para previdência do regime estatuário (R$ 1,56 bilhão); 14,2% para promoção da produção agropecuária (R$ 1,6 bilhão); 3,7% para desenvolvimento tecnológico e engenharia (R$ 438 milhões); 1,7% para proteção e benefícios ao trabalhador (R$ 202 milhões); e 2,8% para defesa agropecuária (R$ 330 milhões).
Já o orçamento de investimento será R$ 42,8 milhões, sendo 88,7% para administração (R$? 38 milhões) e 11,3% para tecnologia da informação (R$ 4,8 milhões). Essas verbas são consignadas à Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), à Companhia de Armazéns e Silos de Minas Gerais (Casemg) e às Centrais de Abastecimento de Minas Gerais (CeasaMinas). Com o contingenciamento, todos esses valores devem sofrer alterações.
Nesta quinta-feira, a ministra Kátia Abreu (Agricultura) afirmou que o Plano Agrícola e Pecuário não trará "nenhum real de redução" para o custeio da safra 2015-2016. Ela tratou de detalhes do plano durante reunião com o ministro Joaquim Levy (Fazenda) na quarta-feira, dia 20. "Não haverá nenhum real de redução em custeio. Nós poderemos ter é boas surpresas", disse a ministra.

Fonte: Jornal do Comércio |