.........

Bacia de Pelotas terá estudo sísmico e ambiental

.........

Trabalho será desenvolvido em parceria pela empresa Spectrum e Furg

Jefferson Klein

JONATHAN HECKLER/JC

Informações preliminares apontam um bom potencial para a ocorrência de petróleo na área, diz Nóbrega

Informações preliminares apontam um bom potencial para a ocorrência de petróleo na área, diz Nóbrega

As chances de a Bacia de Pelotas despertar o interesse das empresas de exploração de petróleo devem aumentar nos próximos meses. A região será foco de um levantamento sísmico e ambiental a ser desenvolvido pela Spectrum (grupo com sede na Noruega, mas com atuação global) e Universidade Federal do Rio Grande (Furg).
O gerente-geral da Spectrum no Brasil, João Carlos Corrêa, detalha que para os trabalhos iniciarem é necessária a emissão do licenciamento por parte do Ibama, o que o executivo espera que ocorra em meados de janeiro. A Bacia de Pelotas compreende aproximadamente 210 mil quilômetros quadrados e se estende do Sul de Santa Catarina até a fronteira com o Uruguai, abrangendo toda a costa do Rio Grande do Sul, estando concentrada, em sua maior parte, no mar.
Não há um prazo definido quanto à duração do estudo, porém a meta é que a iniciativa seja realizada antes da próxima licitação de exploração de áreas de petróleo que será promovida pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Apesar da expectativa inicial de que a rodada fosse feita no em junho de 2015, com os reflexos da operação Lava Jato e a turbulência política gerada, Côrrea acredita que a concorrência acontecerá mais adiante.
O dirigente salienta que os trabalhos promovidos pela Spectrum apresentam sinergias com as pesquisas realizadas pela Furg no campo de meio ambiente. O executivo acrescenta que a coleta de dados da universidade facilitará um futuro licenciamento ambiental da região para a prospecção de petróleo. Já as informações da Spectrum deixarão mais claro para as empresas a probabilidade da presença de petróleo no local. “É uma atividade de risco, que envolve milhões, e a única maneira de reduzir esse risco é com o conhecimento através de dados”, frisa.
Em 2013, a Spectrum havia avaliado a Bacia de Pelotas, no que chamou de fase 1. Segundo Côrrea, os dados obtidos possibilitaram à ANP fazer a valorização de blocos da área, ou seja, a agência fez uma avaliação do potencial de petróleo na região. Agora, o objetivo é começar a segunda etapa com o detalhamento dos dados. Para o trabalho será utilizado um navio-sísmico, que colherá dados 2D. Futuramente, um desdobramento da iniciativa contemplaria um serviço 3D.
Côrrea explica que a remuneração da Spectrum é concretizada pela venda das informações às companhias de petróleo que se interessam pela região avaliada. O vice-presidente da Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI), Aloísio Nóbrega, enfatiza que as informações preliminares apontam um bom potencial para a ocorrência de petróleo na Bacia de Pelotas. Entre os fatores que indicam esse cenário está a descoberta de petróleo na Namíbia. Como antes da separação dos continentes africano e americano o território desse país era próximo ao que é hoje o Rio Grande do Sul, é plausível supor que havendo atualmente petróleo nessa nação também terá na costa gaúcha. Outra pista são algumas ocorrências de manchas de óleo no mar, que não teriam sido oriundas de navios petroleiros e a presença de rochas porosas, que servem de reservatório para o petróleo.
Nóbrega lembra que a Bacia de Pelotas não participa de licitações desde 2005. Contudo, o dirigente destaca que a diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, anunciou em setembro que a bacia deverá ser incluída na próxima licitação. O integrante da AGDI admite que a operação Lava a Jato deve impactar os leilões promovidos pela agência. O dirigente não descarta a possibilidade de que a Petrobras participe dos certames da ANP, porém com um fôlego menor devido à investigação. Nóbrega torce para que o cenário atual não adie a licitação e argumenta que a estatal, se encontrar dificuldades em participar sozinha da disputa, poderá adorar a tática das parcerias.

Fonte: Jornal do Comércio |