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Autoridades do Mercosul se reúnem em Porto Alegre

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MARCELO G. RIBEIRO/JC
Ministra Maria do Rosário (c) representou o Brasil no encontro

Ministra Maria do Rosário (c) representou o Brasil no encontro

Representantes de nove países da América do Sul reuniram-se em Porto Alegre para discutir o fortalecimento da integração entre as nações na área de Direitos Humanos. A XXII Reunião de Altas Autoridades em Direitos Humanos e Chancelarias do Mercosul e Estados Associados (RAADH) propôs a consolidação das relações de cooperação entre os países, através da facilitação do acesso a arquivos com informações sobre ações conjuntas de repressão nos períodos de ditadura militar, como a Operação Condor.
A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, foi a representante brasileira no encontro, realizado na quarta-feira, no Palácio Piratini. De acordo com Rosário, uma das preocupações permanentes da RAADH são os mecanismos de manutenção da memória e busca pela verdade. “Perversamente, existia uma integração dos países para a violação de direitos humanos, precisamos desta integração para melhorar a troca de informações”, relata. Uma das ações do encontro foi a aprovação do documento que estabelece a preservação de locais utilizados pela ditadura, como espaços de memória.
Em meio às atividades da RAADH, foi realizado, no Teatro Dante Barone, da Assembleia Legislativa, o seminário Operação Condor: Testemunhos e Espaços de Memória. Foram discutidos os processos judiciais envolvendo crimes de lesa-humanidade, além do testemunho de vítimas da ditadura, militantes dos direitos humanos e pesquisadores. Criada em 1960, a operação foi uma aliança político-militar entre os regimes ditatoriais de cinco países da América do Sul: Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. Até hoje não se tem uma dimensão exata sobre o número de vítimas.
Um volume de quatro toneladas de papéis descoberto no Paraguai, em 1992,  preservou intactos diários, arquivos, fotos, correspondências e a rotina da operação. São mais de 60 mil documentos, totalizando 593 mil páginas microfilmadas pela burocracia da repressão.
Outro tema em destaque na reunião de altas autoridades foi a situação do Haiti. Conforme o secretário-executivo do Instituto de Políticas Públicas de Direitos Humanos (IPPDH) do Mercosul, Victor Abramovich, os países da região precisam de uma agenda de atuação que inclua outras ações, além do envio de tropas. “Precisamos criar linhas de cooperação na área de direitos humanos”, destacou.
A conjuntura paraguaia também é um assunto que preocupa os países. Afastado do Mercosul e da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) desde o impeachment do ex-presidente Fernando Lugo, o Paraguai não participou do encontro na Capital.

Fonte: Jornal do Comércio | Fernanda Nascimento