Autarquia vê falta de ‘celeridade’ em RI

O diretor de relações com investidores da JBS, Jeremiah O´Callaghan, deveria ter sido mais rápido em anunciar ao mercado sobre a celebração do acordo de delação premiada dos irmãos Batista, controladores da companhia. É o que conclui termo de acusação da CVM sobre a atuação do executivo no episódio, obtido pelo Valor.

A acusação ao diretor de RI, que hoje acumula a presidência do conselho da JBS, menciona um "efeito devastador" no mercado após a delação vir a público, na noite de 17 de maio do ano passado. Além de ter sido acionado o "circuit breaker" na B3 no dia seguinte, o rating da empresa foi rebaixado por agências de classificação de risco. A acusação também faz referência à renúncia dos irmãos Batista de seus cargos na JBS logo depois – Joesley deixou a presidência do conselho e comitês nos quais participava, enquanto Wesley saiu da vice-presidência do conselho, embora tenha seguido como CEO por mais alguns meses.

O’Callaghan foi acusado de não inquirir os administradores e controladores da JBS a respeito de informações referentes à celebração da delação e de divulgar "intempestivamente e de forma inapropriada" comunicado ao mercado com informações sobre o caso. A acusação admite que não há elementos que permitam concluir que o executivo tinha informações sobre a delação antes dela vir à tona. Mas diz que "há que se discordar que ele tenha agido com celeridade e adequação exigidas pela instrução CVM 358/2002, para fins de informar apropriadamente o mercado e corrigir eventual assimetria informacional".

Jerry, como O’Callaghan é conhecido, já informou à CVM que conheceu o acordo pela mídia na noite de 17 de maio e que foi decisão sua divulgar comunicados sobre o caso dos dias 18 e 19. Disse estar convicto que agiu com "absoluta celeridade na divulgação de informação certa, observando todos os cuidados para não se engajar em suposições e para não tratar de fatos de ocorrência duvidosa". Procurada ontem pelo Valor, a JBS disse que Jerry apresentou sua defesa no prazo legal e se mantém à disposição para esclarecimentos. O relator do processo na CVM é o diretor Gustavo Borba. Não há data marcada para o julgamento.

Por Juliana Schincariol | Do Rio

Fonte : Valor