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Aumenta o uso de fertilizantes em pastagens no país

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Incentivada pela necessidade de renovação de pastagens e maior produtividade na pecuária, aumentou o uso de fertilizantes nessas áreas nos últimos anos, de acordo com representantes do mercado. Mas como está intimamente ligada à situação econômica da atividade em função do alto custo para aumentar a adubação nos pastos, a demanda pode diminuir se os preços pagos pela arroba continuarem a recuar.

Segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), as pastagens representaram 405 mil de um total de 28,3 milhões de toneladas de fertilizantes entregues pelas misturadoras às revendas em 2011, ou 1,4% do total. A fatia recuou em relação a 2010 (1,5%) e 2009 (1,6%), mas o volume aumentou: foram 357 mil toneladas em 2010 e 344 mil em 2009. Soja, milho, cana e algodão representaram 78,6% da demanda no ano passado.

A Heringer, uma das três maiores empresas do segmento no país, registrou aumento de 40% nas vendas anuais de fertilizantes para pastagens nos últimos três anos. A companhia investe no desenvolvimento de tecnologias para esse tipo de adubação e estima que haverá mais crescimento em função dos bons resultados obtidos pelos pecuaristas.

Daniel Latorraca, gestor do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), diz que esse movimento pode ser observado nos últimos três anos, quando o pecuarista enxergou a possibilidade de fazer investimentos para aumentar a produtividade. O Imea acredita que a seca severa em 2011 em Mato Grosso, que tem 25 milhões de hectares de pastagens no total, também contribuiu para a renovação dos pastos.

Além disso, existe a demanda para manutenção e também para a conversão de pastos em cultivo de soja, processo que exige altas doses de adubo para uma boa fertilização do solo – em torno de 6 toneladas de calcário por hectare, ante 2 toneladas a cada quatro anos numa área em produção, segundo Latorraca. O Imea estima que, em 2012/13, 300 mil hectares de pastos serão incorporados ao plantio de soja em Mato Grosso. Em 2011/12, o grão ocupou 7 milhões de hectares no Estado.

A área com intensa adubação ainda é pequena e quase sem impacto no consumo global de fertilizantes, de acordo com o pesquisador da Embrapa Solos, José Carlos Polidoro. Ele observa que existe também uma grande área de pasto com resíduos de fertilizantes usados nas culturas de grãos no processo de integração lavoura e pecuária.

O maior uso de adubos pode elevar a produtividade da pecuária de uma média de um animal (um boi de 15 arrobas de peso vivo) por hectare ao ano para entre 2,5 e 3 animais, sem a necessidade de uso das chamadas "forragens conservadas", como silagem, cana ou feno. Patricia Anchão, pesquisadora da Embrapa Pecuária Sudeste, estima que a intensificação da adubação, principalmente com maior cobertura de nitrogênio, pode trazer médias maiores – até 12 animais por hectare nas estações chuvosas de regiões como Sudeste e Centro-Oeste. A Embrapa disponibiliza a técnicos e produtores um sistema de computador que calcula a necessidade adequada de aplicação de adubos a partir do tipo de solo e quantidade de animais.

Outro ponto favorável à adubação dos pastos diz respeito à sustentabilidade. Na avaliação de André Locateli, gerente-executivo da Associação de Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), o uso correto de fertilizantes não representa nenhuma restrição ao conceito de boi "verde" ou "natural", que só se alimenta de capim, uma das bandeiras do Brasil no mercado externo para oferecer um produto saudável e sustentável.

Mas a demanda dos pastos por adubos, pondera o gestor do Imea, está intimamente ligada ao ciclo de preços mais favoráveis da pecuária. Assim, em períodos de "vacas magras" a procura por fertilizantes é reduzida, o que, segundo Latorraca, pode acontecer este ano caso o preço da arroba continue a recuar. O pecuarista pode perder a capacidade de fazer esse investimento – em média, de R$ 1,5 mil por hectare, incluindo preparo do solo, fertilizantes, maquinário, mão de obra etc. "Você só consegue isso em cenários de preços bons". Em média, a arroba do boi gordo em Mato Grosso caiu 2,27% em junho sobre o mesmo mês de 2011, e os custos subiram.

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Fonte: Valor | Por Carine Ferreira | De São Paulo