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Aumenta influência do Brasil na África

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Tendência foi apontada por estudo inédito do Banco Mundial apresentado ontem

O projeto de expansão que resultou em um forte aumento da influência brasileira na região fez a balança comercial do Brasil com a África saltar de US$ 4 bilhões em 2001 para US$ 20 bilhões em 2010, mostra um relatório inédito do Banco Mundial.

Já o investimento direto no continente subiu de US$ 69 bilhões para US$ 214 bilhões entre 2001 e 2009.

O estudo analítico, lançado ontem no Brasil, compila dados levantados pelos pesquisadores do banco em parceria com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e entrevistas entre outubro de 2010 a agosto último.

"A expansão da influência brasileira na África nos últimos sete ou oito anos é ainda mais impressionante quando consideradas as limitações econômicas internas", diz o documento, intitulado "Ponte sobre o Atlântico -Brasil e África Subsaariana".

O relatório mostra que o investimento do governo brasileiro, mais intenso ainda nos anos Lula (2003-2010), foi acompanhado também por parcerias tecnológicas e pela iniciativa privada -estas fomentadas por financiamentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

O Banco Mundial conta hoje empresas brasileiras em 17 países africanos, especialmente nas áreas de mineração e infraestrutura, e parcerias governamentais em mais de 20 nações do continente.

Sobretudo, o documento ressalta o crescente papel da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) no continente, que abriu escritório em Gana e tem projetos próprios em Moçambique e Senegal, além de acordos de pesquisa em Angola, Cabo Verde, República do Congo, Guiné-Bissau, Nigéria, Tanzânia e Togo.

Apesar de elogiar o modelo brasileiro, porém, o Banco Mundial ainda vê percalços nessa relação e afirma que ela pode ser mais ampla.

Dois obstáculos são a limitação de informações sobre a África no Brasil e a infraestrutura africana, sobretudo em internet e telefonia.

A falta de voos, o excesso de burocracia e a falta de transparência nos negócios entre o país e o continente também são problemas.

Ainda assim, o estudo recomenda ao Banco Mundial aumentar o apoio aos programas entre Brasil e África e consultar sistematicamente Brasília sobre a região.

Fonte: FOLHA DE S. PAULO – SP  | LUCIANA COELHO | DE WASHINGTON