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Arroz produzido no Rio Grande do Sul conquista reconhecimento internacional

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Dois navios, que juntos transportaram 23 mil toneladas de arroz, abriram em 2004 ,de forma tímida, um nicho até então pouco explorado. Do porto de Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul, o grão chegou aos mares, rumo a novos consumidores. Passados sete anos, o arroz gaúcho, quebrado ou parboilizado, ganhou reconhecimento internacional. Logo, as exportações se multiplicaram até ultrapassar 600 mil toneladas, em 2009. Após retração no mercado, o porto marítimo projeta para a atual safra alta de 11% nos embarques de 405 mil no ano passado para mais de 450 mil toneladas em 2011.

Em 2004, os navios, endereçados à Senegal e Holanda, partiram do complexo Termasa-Tergrasa. Ao observar a crescente conquista de mercados, em especial a partir de 2007, a direção do terminal ergue quatro silos verticais, com 5 mil toneladas de capacidade cada, exclusivos para o arroz.

– Como o pico da safra do arroz coincide com o da soja (abril e maio), vamos criar este espaço. Queremos ofertar 110 mil toneladas ao arroz – explica Guillermo Dawson, diretor do complexo.

A Termasa-Tergrasa aposta na vocação exportadora do Estado, responsável por 64% da produção brasileira do cereal, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Do cais, o grão parte a granel ou em contêineres, ensacados. Chega aos Estados Unidos, América Central, Ásia e Europa. No entanto, o principal consumidor é a África, destino de 78% do arroz nacional, aponta levantamento da empresa de consultoria Agrotendências.

– No último ano comercial (de março de 2010 a janeiro de 2011), o Brasil exportou arroz para 62 países. O dado mostra que, embora recente, pois há sete anos as vendas não passavam de 50 mil toneladas, a participação do arroz brasileiro é uma realidade sólida – frisa Tiago Sarmento Barata, analista de mercado da Agrotendências.

Para os próximos anos, apesar da influência do humor do câmbio, as exportações devem continuar favoráveis, com a demanda africana em alta e um maior interesse do Oriente Médio. O cenário anima quem busca ampliar o espaço no mercado externo, como Fernando Estima, diretor da Ei-LOG, corretora pelotense associada à Bolsa Continental de Mercadorias.

– O Estado tem condições de exportar 10% do que produz. Além de garantir ganhos na venda, diminui a oferta no mercado interno e ajuda a melhorar o preço da saca. Basta trabalhar – confia Estima.

Esses 10% corresponderiam a 800 mil toneladas em 2011, conforme a previsão da Conab. Volume quase duas vezes superior ao que deve passar por Rio Grande. Para aproveitar tal potencial, a corretora investe no cereal beneficiado. Em contêineres, dentro de sacos, exporta o arroz em embalagens bilíngues de um, cinco e 10 quilos. Estratégia que assegurou vendas para países como Canadá, Estados Unidos, Libéria e Argentina.

Zero Hora